CUT se diz excluída da negociação de seguro-desemprego

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) acusa o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, e outras centrais sindicais, como a Força Sindical e Social Democracia Social (SDS), de tentar excluí-la do processo de negociação da ampliação do pagamento das parcelas do seguro-desemprego."Nós apresentamos a proposta de ampliação do total das parcelas de 5 para 12 há quatro anos. Batalhamos tanto e, na hora de implementar a proposta, querem nos excluir", acusa o presidente da CUT Nacional, João Felício. Além da Força e da SDS, a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) também participa das negociações, que envolvem o aumento das parcelas para um máximo de oito.Segundo Felício, o ministro exigiu apoio das centrais sindicais para a reforma da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em tramitação no Congresso Nacional, como condição para que o governo amplie as parcelas do seguro-desemprego.Ele adiantou que a central marcará presença amanhã na reunião do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), em Brasília, para defender suas posições. "Queremos a ampliação das parcelas do seguro-desemprego, inclusive com a concessão para o trabalhador informal, que é maioria neste País. Isso já acontece na Europa e pensamos ser possível aplicar essa regra também aqui", defende, lembrando que o benefício só é concedido hoje para o trabalhador que possui registro em carteira de trabalho por um período igual ou superior a 36 meses.O líder sindical diz também não abrir mão dos direitos garantidos na CLT, independentemente de o governo ampliar as parcelas do seguro-desemprego. "Desemprego se combate com crescimento econômico, reforma tributária e desoneração da produção. Não adianta cortar direitos dos trabalhadores previstos na CLT", opina.Outra proposta da CUT é a concessão de parcelas maiores do seguro-desemprego para classes específicas de trabalhadores, prejudicadas por questões de discriminação. "Para uma mulher ou um negro é mais difícil obter e manter o emprego. Portanto, defendemos que o valor do seguro-desemprego dessas pessoas tem que ser maior. Eles têm mais dificuldade para conseguir o emprego e, quando conseguem, recebem salários menores", justifica.

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