Cutrale e Safra aumentam proposta e fazem uma 'oferta hostil' por Chiquita

Cutrale e Safra aumentam proposta e fazem uma 'oferta hostil' por Chiquita

Sem evoluir na negociação com o conselho da fabricante de bananas Chiquita, empresas brasileiras fazem oferta direta para acionistas da companhia americana, que está em processo de fusão desde março

O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2014 | 02h02

Depois de receber uma série de negativas do conselho de administração da fabricante de bananas Chiquita, os brasileiros do banco Safra e da Cutrale partiram para o embate e decidiram fazer uma oferta direta aos acionistas da companhia americana, que eles tentam comprar desde agosto. Esse tipo de transação - em que uma empresa tenta adquirir uma companhia de capital aberto sem a aprovação da proposta por parte do conselho executivo da empresa-alvo - é conhecida no mercado como oferta hostil.

Ontem, a produtora brasileira de suco de laranja Cutrale e o banco Safra elevaram sua oferta para adquirir a Chiquita para US$ 14 por ação em dinheiro - valor que supera em US$ 1 o que foi oferecido em agosto. No comunicado, as empresas afirmaram que a proposta é "definitiva".

A dificuldade das empresas brasileiras é que a Chiquita está em processo de fusão com a Irlandesa Fyffes desde março e teria de abandonar o negócio para aceitar a proposta de compra. Os conselheiros da companhia e sua diretoria executiva, no entanto, já manifestaram publicamente o interesse de manter a fusão.

A proposta melhorada de Cutrale-Safra avalia a Chiquita em cerca de US$ 658 milhões, ou o equivalente a 12,4 vezes o Ebtida (lucros anuais antes de juros, impostos, depreciação e amortização, acrescentou o comunicado.

Se a oferta hostil for bem-sucedida, ela transformará os bilionários Joseph Safra e José Luis Cutrale nos "reis do café da manhã", com o controle de uma parte considerável do comércio mundial de frutas tropicais e maior poder de negociação com supermercados.

A Chiquita havia concordado em março em realizar uma fusão com a Fyffes para criar o maior fornecedor mundial de banana. A nova oferta da Cutrale-Safra representa um prêmio de cerca de 40% sobre o preço de US$ 10,06 do fechamento da ação da Chiquita no dia 8 de agosto. Também é 19% superior ao preço da Chiquita baseado nos termos revisados da negociação com a Fyffes.

A compra da Chiquita por Cutrale e Safra será financiada com capital próprio, e a J. Safra Sarasin AG planeja fazer um leilão para 7,875% das notas seniores da Chiquita com vencimento em 2021. "Ao contrário da combinação proposta com Fyffes, a oferta superior de Cutrale-Safra dá aos acionistas da Chiquita completa certeza quanto ao valor de seus investimentos na Chiquita", diz a nota.

Interesses. A união de Chiquita e Fyffes formaria uma empresa avaliada em cerca de US$ 1 bilhão, líder no mercado global de bananas. O segmento movimenta US$ 7 bilhões por ano e hoje é controlado por Chiquita, pelas americanas Fresh Del Monte Produce e Dole Food Company e pela Fyffes. A Chiquita fatura US$ 3 bilhões por ano e soma 22% da produção mundial de bananas, além de vender também abacaxi, maçã, saladas prontas e alimentos processados a base de frutas.

A compra da companhia americana seria mais um passo na diversificação de negócios da Cutrale, focada atualmente na produção de suco de laranja - um segmento que vem sofrendo com a queda no consumo do produto. A empresa começou a produzir soja há dois anos, mas ainda tem o suco de laranja como seu principal negócio.

Cutrale, Safra e Chiquita não comentaram o novo capítulo das negociações.

Ontem, as ações da Chiquita saltaram cerca de 4% na bolsa de Nova York, enquanto as da irlandesa Fyffes caíram 3,2%. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.