Cutrale e Safra criticam gestão da americana Chiquita

Após terem oferta pela fabricante de bananas recusada, empresas brasileiras questionam decisão e tentam apoio de acionistas

O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2014 | 02h06

A fabricante de suco de laranjas Cutrale e o grupo Safra não saíram completamente de cena na disputa pela americana Chiquita Brands, dona de 22% do mercado mundial de bananas. No dia 14 de agosto, a Chiquita recusou uma oferta de US$ 625 milhões das empresas brasileiras para seguir no processo de fusão com a irlandesa Fyffes. Ontem, a americana reiterou sua decisão em um comunicado, o qual foi rebatido pela Cutrale e pelo Safra: isso "evidencia a irresponsabilidade e a falta de discernimento da administração da Chiquita", disseram os brasileiros.

A companhia americana enviou, ontem, uma carta a seus acionistas, recomendando que eles votem a favor da fusão entre com a Fyffes. Na carta, a Chiquita reiterou que a proposta feita pelos grupos brasileiros Cutrale e Safra para adquirir 100% da empresa de alimentos é inadequada e não condiz com o interesse da companhia e de seus acionistas. "O conselho de administração decidiu que, no momento, a combinação com a Fyffes é a melhor opção para os acionistas da Chiquita", disse a companhia, acrescentando que discussões com a Cutrale/Safra provavelmente não resultariam em uma proposta superior.

Mais cedo, Chiquita e Fyffes divulgaram que a fusão entre as empresas, anunciada em março deste ano, deve gerar uma economia adicional de US$ 20 milhões ao ano, além dos US$ 40 milhões previstos anteriormente. A combinação entre as empresas deve criar a maior companhia de bananas do mundo, com presença em 70 países e faturamento anual de US$ 4,6 bilhões. Com o acordo a nova companhia, batizada de "ChiquitaFyffes", empregará 32 mil pessoas.

Após tomar conhecimento da carta enviada pela Chiquita a seus acionistas, os grupos brasileiros afirmaram que o anúncio da economia adicional de US$ 20 milhões, a apenas algumas semanas da assembleia de acionistas para a votação da fusão com a Fyffes, soa como "desespero". Cutrale e Safra afirmaram também que sua proposta é "incontestavelmente superior" e que não haveria risco para os acionistas caso o conselho da Chiquita decidisse iniciar discussões.

De acordo com documentos entregues às autoridades financeiras, Cutrale e Safra fizeram, na terça feira, uma apresentação ao Institutional Shareholder Services, grupo de consultoria que recomenda aos acionistas a melhor forma de votar. As recomendações do ISS costumam ter peso entre os acionistas, principalmente com acionistas institucionais.

Em sua apresentação, Cutrale e Safra disseram que sua proposta de aquisição para a Chiquita seria melhor do que uma fusão com a Fyffes por oferecer aos acionistas uma compensação imediata, evitando as incertezas de uma fusão. As empresas brasileiras descreveram o acordo com a Fyffes como combinação "equivocada e altamente arriscada", dizendo que a direção da Chiquita tem um histórico de decisões questionáveis e "vários casos que resultaram em desvalorização".

No ataque. Na apresentação, Cutrale e Safra disseram ter "consultado muitos acionistas da Chiquita", sem dar mais detalhes. As duas tentam conquistar apoio para bloquear a fusão entre Chiquita e Fyffes em votação marcada para 17 de setembro.

A empresa americana deslocaria sua sede para a Irlanda após o acordo com a Fyffes - o que também tem sido usado no argumento das empresas brasileiras. Cutrale e Safra dizem que a reação contra os chamados acordos de "inversão", nos quais empresas americanas se mudam para países de carga tributária mais baixa, poderia prejudicar a negociação.

O analista Brett Hundley, do banco BB&T, classificou como "equivocada e arrogante" a tática da Cutrale e do Safra. Para ele, por enquanto, a fusão com a Fyffes é a melhor opção. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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