CVC tenta se vender para o público jovem

Empresa mudou pacotes para agradar clientela entre 18 e 25 anos e lança campanha voltada para ela

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2015 | 02h02

A agência de viagens CVC, que sempre atendeu prioritariamente as famílias, agora quer se aproximar de um público mais jovem. A empresa percebeu que, entre 2011 e 2014, as vendas a clientes de 18 a 25 anos subiram 272% - o mais expressivo avanço entre as faixas etárias. A partir deste diagnóstico, a companhia decidiu começar a rejuvenescer a própria imagem.

Além de colocar uma nova campanha publicitária no ar - que será veiculada até junho -, a empresa de turismo também espalhará novos materiais de venda em suas 915 lojas. "Estamos falando com um público novo, que cresce e passa a tomar as próprias decisões sobre as viagens", diz Marcelo Oste, diretor de marketing da CVC. É por isso, diz o executivo, que antes de levar o novo conceito à mídia, a companhia precisou adaptar sua oferta de produtos.

Ao contrário do público idoso e das famílias, que buscam viagens mais estruturadas, o jovem de 18 a 25 anos toma decisões mais impulsivas e exige mais liberdade na hora de montar o roteiro de viagem. "Antes, os pacotes tinham sete dias, com saídas em determinados dias da semana", explica o executivo. "Hoje, temos ofertas para todos os dias. Aumentamos o leque de locação de veículos, para quem gosta de fazer o próprio roteiro."

Recentemente, a CVC também iniciou uma operação de intercâmbio, voltada principalmente a este público.

Esse investimento no público mais jovem - com o slogan "Momentos que valem muito custam pouco", criado pela agência Publicis - será trabalhado aos poucos, segundo Oste. "Não vamos bombardear a mídia com informações, vamos na nossa velocidade. Somos uma empresa que está na mídia todos os dias do ano e não temos motivo para pressa", explica. A CVC gasta cerca de R$ 80 milhões por ano em marketing.

Embora os consumidores da faixa etária de 18 a 25 anos sejam extremamente conectados à web, o diretor de marketing da CVC afirma que esses clientes também acabam fechando sua viagem no ponto de venda tradicional. "Noventa por cento dos clientes que entram nas lojas já olharam a viagem na internet anteriormente. No entanto, somente 5% das nossas vendas são fechadas pelo site. É uma questão de confiança."

Embora a CVC esteja sofrendo forte concorrência das agências de viagem 100% online, o presidente do Grupo Troiano de Branding, Jaime Troiano, afirma que o diferencial da companhia - que está no mercado desde 1972 - pode ser justamente seu aspecto "paternal". "Num mercado onde o ambiente 'high tech' é intenso, ter uma janela para dialogar com clientes aumenta o envolvimento com a marca. Qualquer mudança deveria ser feita sem correr o risco de gerar insegurança no cliente."

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