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CVM ainda apura participação de executivos no caso Petrobras

Vazamento de informações beneficiou dois investidores que compraram ações preferenciais da Suzano Petroquímica adquiridas antes do anúncio da venda da empresa

Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

08 de agosto de 2007 | 14h06

Ainda não se sabe se há algum executivo da Suzano Petroquímica ou da Petrobras envolvido no vazamento de informações na venda do controle da petroquímica para a estatal. A informação foi confirmada na manhã desta quarta-feira, 8, pela presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana. O vazamento destas informações beneficiou dois investidores que compraram ações preferenciais da Suzano Petroquímica adquiridas antes do anúncio da venda da empresa e novamente negociadas após a divulgação da transação. Em função desta suspeita, a juíza federal do Rio de Janeiro Maria Senos de Carvalho bloqueou o ganho destes investidores.   Petrobras paga R$ 2,1 bi por 76,1% da Suzano Petroquímica   CVM obtém liminar bloqueando ações de investidores da Suzano   Maria Helena disse ainda que na relação encaminhada pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com o nome dos investidores que operaram com ações da Suzano não consta nenhum executivo da linha de frente das empresas. Entretanto, ela lembra que durante as investigações pode aparecer o nome de outros executivos que participaram das negociações. A lista completa de quem integrou a equipe que fechou a compra do controle da Suzano Petroquímica pela Petrobras deve chegar às mãos da CVM até amanhã.   A presidente ressaltou que a intenção é manter parceria com o Ministério Público nos casos de investigação de "insider Information". Segundo ela, o bloqueio será o procedimento sempre que for possível identificar com "absoluta clareza" a suspeita de uso de informação privilegiada ou que exista risco de os recursos obtidos com a operação deixarem o País, o que prejudicaria o efeito de uma ação civil pública indenizatória.   Investigações   A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, por unanimidade, requerimento do deputado João Almeida que convoca o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, a comparecer a uma audiência pública, na comissão, com o objetivo de pronunciar-se sobre o processo de compra da Suzano Petroquímica pela estatal.   Os deputados aprovaram ainda a realização de audiência pública, com a mesma finalidade, a partir de requerimento do deputado Arnaldo Jardim. Nessa audiência, há solicitação das presenças, além do presidente da Petrobras, do ministro de Minas e Energia, Nelson Hubner; da presidente do conselho de administração da estatal, Dilma Rousseff; do diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa; da presidente da Comissão de Valores Mobiliários, Maria Helena Santana; e de diretores do Grupo Suzano.   Investidores suspeitos   De acordo com a autarquia, os autores dos negócios suspeitos são uma pessoa física e uma sociedade estrangeira. No caso da pessoa física, segundo a CVM, as ações da Suzano Petroquímica foram adquiridas na manhã do dia em que a venda da empresa foi anunciada. Após a reabertura dos negócios com os papéis da companhia, as ações foram vendidas com lucro superior a R$ 300 mil.   "O mesmo investidor havia também comprado ações a termo, o que irá lhe proporcionar lucro expressivo de cerca de 520 mil reais", afirma a nota.   No caso da sociedade estrangeira, os papéis da Suzano Petroquímica foram adquiridas no dia 23 de julho e toda a posição do grupo na empresa foi novamente negociada após a reabertura dos negócios com lucro de R$ 700 mil.   "Este investidor também não havia negociado com as ações preferenciais da Suzano Petroquímica em nenhum momento anterior, no ano de 2007", disse a CVM, que acrescentou que o processo corre sob segredo de Justiça e que os nomes dos investidores não serão revelados até o final das investigações.

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