CVM: investidor pode ganhar c/ Lei das SA

Os "catadores de pechinchas" nas bolsas de valores poderão obter bons lucros com a implementação das mudanças práticas introduzidas pela nova Lei das S.As., especialmente o "tag along" - direito que garante aos acionistas minoritários detentores de ações ordinárias (ON, com direito a voto), no caso de venda da companhia - uma oferta que represente 80% do valor pago pelos controladores.Empresas tradicionais, como a Caloi, estão avaliadas em pouco mais de R$ 2,5 milhões, a preços de mercado. Cambuci, empresa do setor têxtil, está cotada na bolsa (valor de mercado) em R$ 2,5 milhões, enquanto a Estrela poderia ser comprada por R$ 5,5 milhões. Segundo dados da Economática, cerca de 100 empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo têm valores de mercado abaixo de R$ 100 milhões. Muitas dessas empresas são tradicionais e com boa carteira de negócios, como Gradiente, João Fortes Engenharia, Supergasbras, Ciquine, Vigor, Nadir Figueiredo. Benefício imediatoPara a diretora da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Norma Parente, o "tag along" beneficia, de imediato, os titulares de ações ordinárias, mas as mudanças na Lei das S.As. devem beneficiar também os donos de ações preferenciais (PN, sem direito a voto). A partir de 2006, esses acionistas passarão a ter direito de indicação de representantes no Conselho de Administração das Empresas Abertas. Norma acredita que a tendência é haver uma valorização adicional dos investidores que aplicam os seus recursos em ações. "Está havendo uma mudança cultural no sentido de garantir mais direitos ao acionista. Quem tem participação acionária deve se beneficiar dos resultados das empresas. Antes havia mais resistência por parte dos acionistas controladores, mas percebe-se que está havendo mudanças favoráveis", complementou.

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