CVM investiga empresas em casos de perdas com derivativos

Sadia e Aracruz apresentaram os prejuízos mais significativos, mas presidente da comissão evita citar nomes

Tatiana Freitas, da Agência Estado,

31 Outubro 2008 | 12h45

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está investigando empresas que apresentaram recentemente perdas significativas com operações alavancadas em derivativos. A informação é da presidente da autarquia, Maria Helena Santana, que participou nesta sexta-feira, 31, de debate sobre governança corporativa na Fipecafi, em São Paulo. "Há investigações abertas. Os episódios estão sendo avaliados até por conta das reclamações que recebemos", disse Maria Helena, que procurou não se pronunciar sobre casos específicos. As companhias que apresentaram perdas mais significativas com operações alavancadas em derivativos foram Sadia e Aracruz.   Veja também Entenda as operações de derivativos e suas conseqüências De olho nos sintomas da crise econômica  Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundo Veja os primeiros indicadores da crise financeira no Brasil Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    Segundo Maria Helena, a análise que está sendo promovida pela CVM aborda também a forma como as empresas continuaram reportando informações sobre suas operações financeiras após o primeiro anúncio de perda com derivativos. "A nossa avaliação envolve todas as condutas com relação ao que aconteceu, inclusive as divulgações das informações fidedignas ou não", disse.   No último dia 17, a CVM divulgou deliberação exigindo informações mais detalhadas sobre derivativos em balanços financeiros. Com a deliberação nº 550, que completa a Instrução nº 235/95, a CVM procura garantir a disponibilização de informações mais objetivas e completas sobre a eventual exposição das companhias abertas a instrumentos financeiros derivativos. A regra sugere inclusive que esses dados sejam apresentados sob forma de tabela, nas notas explicativas, onde esse tipo de informação já era solicitada, mas sem tanto rigor.   Nesta semana, a autarquia colocou em audiência pública um pronunciamento do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) sobre o assunto, que deve se transformar em uma norma mais completa e começar a valer para a apresentação dos balanços completos de 2008.   A partir do próximo ano, a CVM exigirá que as empresas apresentem uma análise de sensibilidade para cenários negativos à estratégia traçada pela companhia para a operação com derivativos. A empresa deverá apresentar o impacto financeiro e patrimonial no caso da ocorrência de três cenários: um considerado o mais provável pela companhia; outro cenário possível com uma deterioração de 25% da variável de risco (stress médio); e um improvável, com uma deterioração de 50% dessa variável (stress elevado).

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