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CVM investiga giro atípico de ações da Telebrás

Na sexta, papéis apresentaram oscilação e giro atípicos: as ONs subiram 200%, e as PNs, 218%

Ana Paula Ragazzi e Michelly Teixeira, da Agência Estado,

19 de novembro de 2007 | 13h24

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vai investigar se houve algum movimento irregular com ações da Telebrás. Na sexta-feira, os papéis apresentaram oscilação e giro atípicos: as ordinárias (ON, com direito a voto) subiram 200%, com giro de R$ 1,96 milhão, e as preferenciais (PNs,sem direito a voto), 218%, com R$ 12,973 milhões. A CVM esclarece que essa investigação é normal quando alguma ação tem movimento atípico. A própria Telebrás pediu, também nesta segunda, o bloqueio da negociação com as ações, após ter sido consultada pela Bovespa a respeito da forte alta. Contudo, a Bolsa optou por não suspender os negócios com as ações da empresa.  O comentário do mercado na sexta-feira era que os papéis reagiram à expectativa de anúncio do governo de medidas com o objetivo de fornecer infra-estrutura para internet banda larga em todos os municípios brasileiros nos próximos três anos. Uma das hipóteses, levantada na quarta-feira pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, era usar a Telebrás para administrar essa estrutura. Mas Costa reconhece que é necessário resolver pendências da Telebrás na Justiça para que ela possa cumprir esse papel.  Questionada pela Bovespa, a Telebrás informou que tomou conhecimento da notícia via imprensa. "A Telebrás não teve qualquer participação na divulgação da possível declaração do senhor ministro, até porque cabe exclusivamente ao Ministério das Comunicações a formulação das políticas públicas de Comunicações", disse o presidente da companhia, Jorge da Motta e Silva, em nota.  Esquecimento As ações da Telebrás estavam praticamente esquecidas desde a privatização das telecomunicações, em 1998. Até o ministro Hélio Costa dizer que estudava a hipótese de aproveitar a estrutura da companhia para popularizar a internet banda. Costa fixou até o prazo de 3 anos, com investimentos de cerca de R$ 3 bilhões. A partir desse dia, as ações da Telebrás dispararam. Mas nesta segunda voltaram a cair: 22% a PN e 31,4% a ON. No mercado é até difícil encontrar quem faça comentários sobre as ações da Telebrás. Ninguém acompanha esses papéis. Para o gerente de Análise do Modal Asset Management, Eduardo Roche, apostar nesses papéis é "comprar no escuro". Segundo ele, nem a Telebrás e muito menos suas ações teriam razão de existir. Holding do antigo monopólio estatal da telefonia, a Telebrás deveria ter sido extinta dois anos depois da privatização. Contudo, existe até hoje como fornecedora de mão-de-obra das ex-estatais para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).  Outros analistas, que preferiram manter o anonimato, observaram que a promessa de Costa, "se for concretizada", depende da resolução de pendências da Telebrás na Justiça. "Isso levaria uma eternidade", resumiu o analista de uma corretora. A Telebrás é ré em 825 ações judiciais nas áreas cível, trabalhista e tributária, conforme documentos no site da CVM. No segundo trimestre de 2007, teve prejuízo líquido de R$ 3,993 milhões.  

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