CVM investiga suspeita de desvio de recursos da Bombril

O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Luiz Leonardo Cantidiano, revelou hoje que a autarquia vai investigar se houve desvio de dinheiro por parte da Bombril em operações de remessa ilegal ao exterior, que podem somar US$ 1,3 bilhão. O caso já está sendo analisado pelo Banco Central. Entretanto, a CVM quer saber se houve desvio ou foi uma lavagem de dinheiro, prática que não é da alçada da comissão. Se for confirmado desvio por parte da companhia do empresário Sérgio Cragnotti, a autarquia pretende abrir inquérito ou um termo de acusação para investigar quais os prejuízos que foram causados aos minoritários. "Pelo que estou sabendo pelos jornais, houve uma compra ilegal de títulos públicos. Onde foi parar o dinheiro ?", questionou. "Os constantes desrespeitos da Bombril às regras do mercado de capitais terão de terminar", disse Cantidiano. Segundo ele, a autarquia vai estudar a adoção de medidas mais duras para obrigar que a companhia não prejudique os minoritários. "Estou vendo se é possível fazer algo pela CVM ou Ministério Público", afirmou. "O que não pode ocorrer é uma empresa descumprir a lei, ser multada, não pagar e nada acontecer." A Bombril divulgou hoje nota de esclarecimento na qual nega suspeitas de remessa ilegal de recursos ao exterior. Em reportagem desta semana, a revista Veja diz que a fabricante de produtos de limpeza está sendo investigada pelo Banco Central por ter enviado, entre abril de 1996 e fevereiro de 2001, cerca de US$ 1,3 bilhão ao exterior em operações irregulares. Segundo a reportagem, a Bombril teria ainda simulado a compra e venda de títulos do Tesouro norte-americano para justificar a remessa. Na nota de esclarecimento, a Bombril diz que "as suspeitas e as insinuações noticiadas são descabidas e não refletem a realidade das operações financeiras realizadas pela companhia no período de 1996 a 2001". De acordo com a empresa, as operações mencionadas eram legais e usuais no mercado, envolviam a venda e compra de títulos e valores mobiliários no exterior e foram realizadas com o objetivo de atender, a curto prazo, às necessidades de tesouraria e de capital de giro da companhia no Brasil. A Bombril diz ainda que os valores apontados nas matérias são irreais. "Ao que parece, resultam da soma de todas as renovações, ao longo de vários anos, das mesmas operações financeiras", afirma o comunicado. Segundo a Bombril, todas essas operações foram "devidamente contabilizadas; registradas nas demonstrações financeiras da companhia (auditadas e divulgadas ao mercado nos termos da regulamentação aplicável); declaradas ao Fisco, com o pagamento dos tributos devidos; e realizadas de acordo com as regras estabelecidas pelo Banco Central do Brasil". A empresa diz que, quando solicitada, prestou todos os esclarecimentos às autoridades competentes.

Agencia Estado,

22 de julho de 2002 | 09h46

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