CVM já tem informação sobre negócios com ações da Ipiranga

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já recebeu da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) parte das informações sobre quem operou com ações da Refinaria Ipiranga dias antes do anúncio oficial sobre a venda do grupo para o consórcio formado pela Petrobras, Ultra e Braskem, feito no final de semana. O superintendente de Relações com Mercado e Intermediários, Waldir de Jesus Nobre, revelou que o restante das informações chegará ao órgão até quarta-feira, 21.A movimentação atípica com os papéis das empresas despertou na autarquia a desconfiança de que houve vazamento de informação no caso. De acordo com números da Bolsa, na sexta-feira, 16, o movimento com ações da Ipiranga atingiu R$ 13 milhões, mais de 27 vezes o giro médio.A autarquia pediu a lista de quem operou durante o mês de março com os papéis das empresas que compõem o grupo Ipiranga. Com base nestes dados, a CVM irá apurar se alguém se beneficiou com o uso de informação privilegiada no mercado financeiro.Na segunda, dia 19, a superintendente de Relações com Empresas da CVM, Elizabeth Lopez Rios Machado, informou que um dos indícios de que houve informação privilegiada durante as negociações para venda do grupo Ipiranga foi o fato da movimentação atípica ter se concentrado nas ações ordinárias da empresa, que dão direito a voto nas empresas. Pela lei, em caso de venda, os donos desses papéis, diferentemente dos acionistas preferenciais (PN), têm direito a receber 80% do valor a ser pago aos controladores. Segundo ela, as investigações podem resultar na abertura de um inquérito administrativo.Fato relevanteO órgão informou ainda que recebeu na tarde de segunda as respostas dos diretores de Relações com Investidores das empresas do grupo Ipiranga. Além dos esclarecimentos pedidos sobre amovimentação atípica com ações do grupo, a CVM solicitou ainda informações aos executivos sobre a postura deles no caso.Pela instrução 358, os diretores de RI são responsáveis pela divulgação de fato relevante sempre que houver indícios de que uma informação importante para a companhia vazou. Se ficar comprovado que os diretores não foram diligentes na divulgação eqüitativa de informações ao mercado, a CVM pode abrir um inquérito administrativo.O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que a companhia está "tranqüila" com relação aos indícios de vazamento de informações. Segundo ele, houve mais de 200 pessoas envolvidas nas negociações e cabe à CVM apurar se houve desvio de conduta de alguns deles. "A CVM tem que investigar, ver que corretoras negociaram Ipiranga nos últimos dias. Estamos muito tranqüilos. Não temos qualquer preocupação com relação a isso", frisou Costa.Ele informou que o contrato final entre os três compradores só foi assinado às sete horas da manhã de segunda-feira. "Havia uma série de detalhes a acertar, como o prazo para que a Petrobras deixe de usar a marca Ipiranga em seus postos", contou.

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