CVM mantém termos de reestruturação da Bunge

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizou a reestruturação do Grupo Bunge no formato original. A autarquia sustentou os termos do processo, no qual a Serrana vai incorporar a Bunge Fertilizantes e a Bunge Alimentos. A CVM estava avaliando se essa reorganização exigiria a realização de oferta pública para fechamento de capital antes das incorporações. Tal procedimento chegou a ser pedido pela superintendência de relações com empresas da casa, em dezembro passado, mas a Bunge recorreu e obteve vitória no colegiado da autarquia. O argumento da oferta pública tomava como base um caso semelhante, que envolveu a incorporação da BR Distribuidora pela Petrobrás. Após analisar a defesa da Bunge, a CVM anulou essa comparação. O ofício com a decisão afirma que a operação analisada "difere em diversos pontos essenciais" da incorporação de ações proposta pela Petrobrás. Opções para o investidorO documento diz ainda que os acionistas envolvidos no caso Bunge que não concordarem com a reestruturação terão o chamado "direito de retirada", equivalente a um reembolso para sair do capital das empresas. Se preferirem, esse pagamento poderá ser feito com base em um balanço especial, conforme previsto na Lei das S.As. A hipótese é admitida quando o fato que gerou a dissidência tem mais de 60 dias após o último balanço aprovado pela companhia, explicou o diretor do colegiado da CVM, Luiz Antônio de Sampaio Campos. Como o último balanço aprovado pelas empresas da Bunge é de 31 de dezembro 2000, os acionistas têm direito ao balanço especial, que é mais atualizado. A CVM já alertou a Bunge de que ficará atenta ao balanço especial. Sampaio Campos afirmou que, após a divulgação pela empresa do valor apurado para o recesso, irá examinar se existem diferenças prejudiciais aos acionistas em relação aos valores já divulgados: o econômico, que considera os resultados futuros, e o patrimonial a preços de mercado. Animec não concorda com reestruturaçãoA Associação de Investidores do Mercado de Capitais (Animec), que já vinha questionado a reestruturação da Bunge desde o final do ano passado, continua descontente com a operação. O vice-presidente da associação, Gregorio Mancebo Rodriguez, disse que se houver demanda dos minoritários eles vão à Justiça alegar abuso de poder do controlador. Rodriguez acredita que, mesmo com o balanço especial, o valor do direito de retirada continuará baixo. Isso, segundo ele, praticamente obriga o acionista a aderir à reorganização.

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