CVM não errou com ação da Petrobras, diz ex-presidente

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não errou ao não pedir a suspensão das ações da Petrobras ontem, após o anúncio do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, sobre a área da Petrobras conhecida como Pão de Açúcar, na Bacia de Santos. A opinião é de Roberto Teixeira da Costa, o primeiro presidente da CVM, que foi criada em 1976. Isso por conta da situação inédita da divulgação da notícia, que foi feita por uma agência reguladora, e não pela própria companhia. "A CVM não errou", afirmou.Segundo Costa, normalmente, quando um anúncio deste porte parte da iniciativa da própria companhia, a CVM suspende as ações, baseada no que ele chamou de "regra de ouro" dos mercados: todos os investidores devem estar munidos das mesmas informações para a tomada de decisões. "A CVM age então no sentido de revelar se a informação é precedente e de verificar se houve alguma movimentação anormal com as ações nos dias anteriores, o insider trading (negócios a partir de informação privilegiada)", disse.Entretanto, o anúncio de ontem por parte de Haroldo Lima, o diretor-geral da ANP, foi uma "situação inédita". "Não se sabe nem como nem porque ele fez este anúncio", afirmou. O ex-presidente da CVM aventou a hipótese de que Haroldo Lima, "uma pessoa muito tarimbada", já soubesse que as informações sobre o megacampo estariam circulando no mercado, ou então de o diretor da ANP ter sido movido por alguma outra intenção desconhecida."O que a CVM poderia fazer?", questionou, destacando que a Petrobras afirmou que seria arriscado conjecturar sobre o tamanho do campo. A estatal disse ontem apenas que a abrangência das descobertas em Santos ainda depende de estudos e um plano de avaliação das áreas deverá ser entregue à ANP dentro de poucos dias, em nota. "A Petrobras não tem condições de comentar ainda", destacou Costa, e emendou: "É uma situação delicada e vai dar muito pano para manga".Para o ex-presidente da CVM, a "pior coisa para o mercado é parar de negociar (uma ação)". Portanto, em sua opinião, o certo a se fazer neste momento é aguardar a divulgação de informações da própria Petrobras, para então "cada um tirar suas próprias conclusões".

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