CVM: novas regras devem estimular BDRs

O jurista Ary Oswaldo Mattos Filho acredita que as regras da instrução nº 345 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) podem estimular as operações de troca de ações por Brazilian Depositary Receipts (BDRs, recibos de ações de controladoras estrangeiras, negociáveis no Brasil), como fez a espanhola Telefónica com os papéis da Telesp.Segundo ele, a operação torna-se interessante para grupos internacionais com participações acionárias pulverizadas. "Um banco estrangeiro que viesse a adquirir o Banespa ou o Banestado poderia considerar essa hipótese", comentou Mattos Filho, que é ex-presidente da CVM, disse que as novas normas da autarquia dificultam o enxugamento da liquidez das ações por meio de ofertas, mas ressaltou que ir ou sair do mercado é uma decisão empresarial e não há como impedi-la. Em sua avaliação, muitos grupos que compraram empresas em leilões de privatização têm facilidade de obter recursos nas matrizes no Exterior, o que torna pouco atrativo o mercado de capitais local. Para o presidente nacional da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec), Eron Mattos, a CVM também deveria estabelecer regras para impor restrições às operações com BDRs, assim como foi feito com as ofertas públicas. No entanto, Mattos avalia que não é a nova instrução isoladamente que trará estímulo às operações com BDRs.

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