Fabio Motta/Estadao
Fabio Motta/Estadao

CVM questiona Petrobrás sobre ausência de comunicação oficial sobre diesel

Em resposta à autarquia, estatal reafirma manutenção de sua política de preços

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2019 | 19h12

RIO - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo no qual questiona a Petrobrás da ausência de comunicação diante de um fato relevante - a decisão de manter o preço do diesel congelado, após ter anunciado, horas antes, que reajustaria o combustível em 5,7%.

O processo partiu da gerência de Acompanhamento de Empresas da CVM, por conta da enxurrada de notícias sobre o tema publicadas ao longo desta sexta-feira. O presidente da República, Jair Bolsonaro, após evento, disse ter telefonado para o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, exigindo a manutenção do preço do diesel, que tem efeito sobre a inflação. Com consequência, as ações da estatal despencaram.

Oficialmente, a Petrobrás não fez qualquer comunicado ao mercado. Não há registro nesta sexta-feira de fato relevante sobre o tema. Na mesma linha, a companhia apenas se posicionou à imprensa ontem, quando provocada, no fim da noite. Procurada, por meio da assessoria, a petroleira não respondeu os questionamentos sobre os efeitos da decisão de congelamento sobre o caixa e o programa de venda de refinarias.

Petrobrás reafirma manutenção da política de preços

A Petrobrás reafirmou nesta sexta-feira, 12, a manutenção do alinhamento do preço do diesel ao mercado internacional, com o preço médio em 2019 acima do PPI (Preço Paridade Internacional) e confirmou, em resposta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que a União pediu esclarecimento sobre o reajuste do diesel anunciado nesta quinta-feira, 11.

A companhia afirmou que, diante do anúncio de reajuste do valor do diesel em 5,7%, e "das ameaças de início de uma nova paralisação, a União alertou para o possível agravamento da situação e solicitou esclarecimentos à Petrobrás sobre o reajuste proposto".

"A companhia, então, revisitou sua posição de hedge e avaliou que as operações contratadas na quarta-feira (10/04/19) permitiam um espaçamento por mais alguns dias no reajuste do preço do diesel", disse a Petrobrás.

Ainda segundo a petroleira, diante deste cenário, a empresa decidiu, "com base em avaliação técnica, que, por ora, não alteraria o preço do diesel, tendo comunicado tal decisão tempestivamente ao mercado".

A estatal respondeu a questionamento da CVM sobre a veracidade de que o presidente da República determinou que a estatal desistisse do reajuste do diesel anunciado e o motivo pelo qual a empresa não divulgou fato relevante.

A empresa afirmou ainda que, diante das informações crescentes acerca de uma possível nova paralisação de caminhoneiros semelhante à ocorrida no País em maio de 2018, a Diretoria Executiva, em 25 de março, decidiu alterar a periodicidade dos reajustes de preços do óleo diesel, que passaram ser realizados em intervalos não inferiores a 15 dias.

"Independente disso, a Petrobrás manteve os mecanismos de proteção, como o hedge com o emprego de derivativos, cujo objetivo é preservar a rentabilidade de suas operações de refino."

Ainda de acordo com a companhia, ela vem acompanhando, através do seu Comitê de Crise, o cenário de potencial movimento grevista e seus possíveis impactos para a Petrobras, semelhantes aos avaliados quando da greve dos caminhoneiros, como dificuldades logísticas, redução de carga em refinarias, com risco de eventual paralisação de operações e prejuízos diretos para os resultados da área do Refino e, consequentemente, para a área de Exploração & Produção, dentre outros.

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