CVM vai analisar aporte que Eike faria na OGX

Injeção de recursos na petroleira teria de ser aprovada por conselheiros independentes, mas a maioria deles deixou os cargos há uma semana

Mariana Durão / Rio, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2013 | 02h04

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu ontem processo para analisar a opção de venda ("put") de US$ 1 bilhão de ações da OGX para o controlador da empresa, Eike Batista, anunciada em 24 de outubro do ano passado. A petroleira informou ontem que a operação continua sendo uma "opção viável", mas sua execução é considerada hoje pelo mercado uma possibilidade remota.

A oferta de subscrever novas ações ordinárias foi uma forma de Eike prometer aos acionistas que injetaria recursos na OGX, dando gás à companhia e apostando na valorização das ações. Mas a aposta se provou equivocada e ainda foi agravada pela valorização do dólar nos últimos meses.

Eike se comprometeu a pagar R$ 6,30 por papel, gastando até US$ 1 bilhão. Mas as ações ordinárias fecharam ontem a menos de 10% deste valor, R$ 0,56. Se a OGX tivesse exercido integralmente a opção de injetar US$ 1 bilhão ontem (ou R$ 2,24 bilhões), Eike teria perdido imediatamente mais de R$ 2 bilhões nessa tacada.

O assunto do processo na CVM foi classificado como "análise de transações com partes relacionadas", por envolver a empresa e seu controlador. A autarquia, que regula o mercado de capitais brasileiro, não comenta casos específicos.

A opção, segundo o fato relevante, poderá ser exercida a qualquer momento até 30 de abril de 2014 e está condicionada "à necessidade de capital social adicional da companhia e à ausência de alternativas mais favoráveis". A decisão é da maioria dos membros independentes do conselho de administração da companhia.

Há uma semana, no meio do turbilhão que tomou conta da empresa, três desses membros independentes deixaram o conselho: Pedro Malan, Rodolpho Tourinho e Ellen Gracie. Em abril, o consultor Claudio Sonder também havia deixado o grupo.

Dos seis conselheiros independentes, restaram apenas dois. A análise pela autarquia pode estar ligada à mudança repentina no conselho. A saída dos conselheiros levanta dúvidas sobre a injeção de recursos do controlador para ajudar a tirar a empresa da profunda crise financeira em que se encontra, já que os dois conselheiros remanescentes (Luiz do Amaral de França Pereira e Samir Zraick) são fortemente ligados ao grupo.

No fato relevante divulgado ontem ao mercado, a OGX anunciou estar esvaziando ainda mais o caixa da empresa. O documento diz que "a companhia possui sólida posição financeira", com cerca de US$ 1,15 bilhão para investimentos. Mas o valor se refere a março de 2013.

A OGX se comprometeu com um desembolso imediato de caixa para a OSX no valor de US$ 449 milhões. Em maio, a OGX reservou R$ 376 milhões para compra de blocos do leilão de áreas exploratórias realizada pela Agência Nacional do Petróleo. / COLABORARAM SABRINA VALLE E MÔNICA CIARELLI

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