CVM vai investigar irregularidades na Bombril

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estuda medidas ainda mais duras do que a abertura de um inquérito administrativo para apurar se houve desvio de recursos pela Bombril para o exterior. "Os constantes desrespeitos da Bombril às regras do mercado de capitais terão de terminar", alertou o presidente da CVM, Luiz Leonardo Cantidiano. O próprio advogado já havia advertido no dia de sua posse, na última segunda-feira, que um dos seus objetivos seria adotar uma linha de atuação mais dura à frente da autarquia. "Estou vendo se é possível fazer algo pela comissão ou pelo Ministério Público. O que não pode ocorrer é uma empresa descumprir a lei, ser multada, não pagar e nada acontecer." A CVM quer saber se houve desvio de dinheiro por parte da Bombril em operações de remessa ilegal ao exterior, que podem somar U$S 1,3 bilhão. O caso já está sendo analisado pelo Banco Central. A dúvida da CVM é analisar se houve desvio ou foi lavagem de dinheiro, prática que não é da alçada da comissão. Se for confirmado desvio por parte da companhia do empresário Sérgio Cragnotti, a autarquia pretende abrir inquérito ou um termo de acusação para investigar quais os prejuízos que foram causados aos minoritários. "Pelo que estou sabendo pelos jornais, houve uma compra ilegal de títulos públicos. Onde foi parar o dinheiro ?", questionou. Na semana passada, a CVM informou que também pensa em abrir inquérito para apurar os constantes atrasos no pagamento dos dividendos relativos ao exercício de 2000. Como reflexo desses problemas, as ações da empresa desabaram ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis preferenciais caíram 17,1%. A diretoria da Bombril divulgou fato relevante negando qualquer operação de remessa ilegal de recursos do país.

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