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CVM vê risco de conflito de interesses em empréstimos

A prática de engordar uma empresa para a venda - emprestando dinheiro para fazer aquisições, aumentar a produção ou o patrimônio - provocou inquietação na CVM. O que preocupa o órgão é que, muitas vezes, o empréstimo é concedido pelo mesmo banco que promove a venda das ações aos investidores.Em tese, o banco que vende ações deve ter independência para indicar o preço correto dos papéis aos investidores. O problema é que os empréstimos vêm acompanhados de cobranças de gordas comissões, geralmente vinculadas ao preço das ações. ''''Não é ilegal, nem errado. Mas o investidor tem de saber que o banco pode ganhar cinco vezes mais com as comissões de empréstimos do que com o serviço prestado com a venda de ações'''', diz a gerente de IPOs em exercício da CVM, Flávia Molta. ''''A remuneração distorcida pode fazer com que haja conflito de interesses.''''O caso que levou a CVM a rever procedimentos foi o do banco Pine, que abriu seu capital no início do ano. Como o Credit Suisse receberia uma remuneração em função do empréstimo, a CVM achou essencial que, em casos como esse, os valores começassem a ficar explícitos. Desde junho, todas as operações do gênero passaram a ser detalhadas nos documentos de abertura de capital. Além disso, começaram a ser parte obrigatória do capítulo destinado aos fatores de risco do IPO.Segundo a CVM, um caso emblemático é o do banco Cruzeiro do Sul, que estreou na Bolsa em junho. O prêmio pelos empréstimos de R$ 225 milhões, tomados com o UBS Pactual alguns meses antes do IPO, é quase seis vezes maior que a comissão paga ao mesmo UBS, responsável pela coordenação. Na oferta primária, o Cruzeiro do Sul captou R$ 574 milhões e repassou cerca de 5% ao UBS - quase R$ 30 milhões.Segundo um dos membros do Conselho de Administração do Cruzeiro do Sul, Charles Forbes, o primeiro empréstimo já foi pago com o dinheiro da oferta secundária. ''''Não vejo conflito de interesses. Os coordenadores não iriam se arriscar a valorizar errado o papel e perder a credibilidade'''', diz Forbes.Na semana passada, saiu o resultado da venda de ações da Triunfo Participações e Investimentos (TPI), especializada em concessões de rodovias, portos e geração de energia. A Triunfo faturou R$ 166 milhões em 2006. Em maio de 2007, recebeu um empréstimo de R$ 230 milhões do Credit Suisse. O IPO foi realizado em 23 de julho, dias antes do início da crise internacional. Quase 50% dos R$ 513 milhões captados são destinados a pagar o empréstimo e as comissões do Credit Suisse.Segundo a CVM, os bancos que mais fazem IPOs - Credit Suisse e UBS - são os que mais emprestam dinheiro para as empresas. O Credit Suisse diz que não faz empréstimos pontes para IPO e que todos os financiamentos têm prazos para pagamento mínimo de quatro anos e são cobertos por garantias. O UBS não quis se manifestar.

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2027 | 00h00

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