Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Crise reduz preços de estacionamentos

Na Avenida Paulista, valor da primeira hora chega a cair 20%; empresas que aumentaram valores sentem diminuição no movimento

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

08 Novembro 2015 | 03h00

Estacionar o carro na Avenida Paulista ficou, nas últimas semanas, mais barato. Como estratégia para sobreviver ao período de retração econômica que vem assustando o consumidor e provocando cortes de despesas consideradas supérfluas, alguns estacionamentos diminuíram os preços das diárias. Esperam, assim, atrair mais clientes.

É o caso de uma unidade da rede Estapar, na altura do número 500 da avenida. O estacionamento reduziu, há pouco mais de uma semana, em 20% o valor da primeira hora, que foi de R$ 20 para R$ 15. O motivo é a queda do movimento, acentuada nos últimos seis meses. “Há um ano, vivíamos lotados. Duas das cinco empresas do prédio fecharam e hoje o que temos é o movimento da universidade (localizada no prédio do estacionamento)”, conta Diones Marques, funcionário da unidade há quatro anos. Apesar da promoção, Marques ainda não constatou uma retomada de clientes.

Ao lado, o estacionamento Servi Park também reduziu o preço cobrado pela primeira hora, de R$ 20 para R$ 17. O motivo é o mesmo alegado pelo vizinho: baixo movimento. Neste mesmo período do ano passado, conta Danilo Ambrósio de Oliveira, responsável pelo estabelecimento, o movimento diário alcançava 1,8 mil carros por dia. Hoje, a média fica por volta de 800. “O ano todo foi devagar. A crise pegou geral.”

No estacionamento Zenitram, a gerente Rosineide Batista dos Santos afirma que 2015 é o pior ano dos últimos 18 anos em que trabalha na operação. Em frente, uma faixa anuncia a promoção para a primeira meia hora, que antes custava R$ 12, agora é R$ 10. Mesmo assim, o estacionamento continua a ver o movimento despencar em 50%. “Ninguém tem procurado o serviço de mensalista. Tem dias que recebemos 30 carros avulsos. Fica tudo vazio.”

Para além de representar um fenômeno localizado, a redução nos preços do setor é, na opinião do sindicato que representa os estacionamentos, Sindepark, uma tendência na cidade de São Paulo. “Em função da crise econômica, houve uma considerável redução do número de usuários, e as empresas, para manterem a sobrevivência e evitarem demissões, reduziram até 30% o valor das tarifas em alguns casos, principalmente para mensalistas”, afirma Marcelo Gait, presidente do Sindepark. Apontando o aumento nos tributos, ele conta que tem aconselhado os associados a renegociarem os preços dos aluguéis para evitar repassar uma tarifa mais alta para o consumidor. 

 

Preço alto. No entanto, nem todos os estabelecimentos concordam com a opinião do sindicato. Na contramão da redução, alguns negócios optaram por aumentar o preço e, assim, tentar amenizar a queda das receitas. Como resultado, o faturamento foi ladeira abaixo.

O Almira Park já nota uma queda no movimento após elevar o valor da primeira hora de R$ 15 para R$ 18, há três meses. O funcionário Jailton Silva de Souza diz que o movimento, hoje, é mantido pela localização, embaixo de um banco. “O cliente não quer correr o risco de sair com dinheiro nas mãos.” 

O mesmo aconteceu no Progress Park que, após o aumento da diária de R$ 35 para R$ 40, viu o movimento cair 30%. 

Ao lado do Consulado Italiano no Brasil, o estacionamento Trevo sempre se beneficiou da movimentação de pessoas no local. Porém, hoje os funcionários temem o reajuste anual de preços de diárias, que acontece sempre em dezembro. “Nem viajar as pessoas estão viajando mais”, preocupa-se Bruno Candido da Silva, há três anos no estacionamento. Ele conta que o fluxo de carros reduziu 40% nos últimos quatro meses. “As pessoas reclamam bastante do preço”. Na busca por mais uma fatia de mercado, foi instalado um bicicletário no local, mas até agora não houve procura.

Em nota, a rede Estapar afirma que os preços reduzidos em uma de suas unidades da Avenida Paulista estabelecem uma política de precificação microrregiões, dadas a oferta e a demanda. Mesmo assim, diz a nota, a tarifa de R$ 15 é aplicada apenas à faixa de horário entre 18h e 23h30.

Inflação. Apesar de ainda não aparecer nos números, a inflação de serviços, que influencia nos preços dos estacionamentos, tende a arrefecer nos próximos meses, conforme aposta o professor do MBA em Finanças do Insper, Alexandre Chaia.

“Nos últimos dez anos, a renda da população aumentou e a busca por serviços cresceu”, afirma o especialista. “Em uma época de retração como esta, esses preços livres tendem a apresentar uma queda.”


Mais conteúdo sobre:
Estacionamentoinflação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.