Cybelar compra 65 lojas da Colombo

Comércio. Rede varejista com sede em Tietê, no interior paulista, amplia seu tamanho em quase 70% com a aquisição das unidades da companhia gaúcha em São Paulo e em Minas; a Colombo vai agora se concentrar em seus negócios nos Estados da região Sul

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2012 | 02h10

Numa tacada só, a rede paulista Cybelar, com sede em Tietê (SP), ampliou em quase 70% o seu tamanho, ao anunciar a compra de 65 lojas da gaúcha Lojas Colombo, das quais 62 unidades localizadas no interior do Estado de São Paulo e três no Sul de Minas, além de um centro de distribuição na cidade de Sumaré (SP).

O negócio, cujo valor não foi revelado, cai feito uma luva para as duas empresas, segundo consultores de varejo. A Colombo se livra da baixa rentabilidade das lojas paulistas e concentra-se nos Estados do Sul, onde lidera a venda de móveis e eletroeletrônicos. A Cybelar, por sua vez, dá um salto no mercado com maior potencial de consumo do País.

As empresas, ambas familiares e fundadas nos anos 1950, informam em comunicado que as negociações foram feitas à moda antiga: conduzidas diretamente pelos donos Adelino Colombo, da Lojas Colombo, e Ubirajara Pasquotto, da Cybelar. O controle da operação paulista da Colombo, no entanto, passará para a Cybelar somente após a aprovação do negócio pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O negócio surpreendeu fornecedores e concorrentes, mas não os consultores de varejo. "No varejo, é preciso reinventar a roda todo dia", diz Eugênio Foganhalo, sócio da Mixxer Desenvolvimento Empresarial. Foi o problema de falta de dinamismo que, segundo ele, teria levado a Colombo a se desfazer da operação paulista, iniciada em 1997.

"A atuação da Colombo no interior de São Paulo era acanhada, porque a empresa não tinha muita tradição na região e enfrentava uma concorrência muito forte de empresas locais", diz o consultor. Além disso, atuar em cinco Estados diferentes - Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais - é tarefa difícil, avalia. "É como se fosse operar duas empresas diferentes. Por isso, acho que a venda dessas lojas foi uma saída natural para a questão."

Em 2011, a Lojas Colombo faturou R$ 1,38 bilhão, R$ 50 milhões a menos do que em 2010. O prejuízo líquido em 2011 foi de R$ 48,752 milhões, aponta o balanço.

Com a venda do braço paulista, a companhia diz, no comunicado, que pretende investir nas lojas do Sul, onde serão lançadas novas linhas de negócio. A união da Máquina de Vendas com a rede Salfer, de Santa Catarina, pode ter apressado a decisão da Colombo de se concentrar nas lojas da região, dizem analistas,

Novo Magazine Luiza. Não é de hoje que circulam no mercado informações sobre uma possível venda, integral ou parcial, da Lojas Colombo. De acordo com analistas, a empresa enfrenta problemas com a falta de sucessão. O fundador, Adelino Colombo, 81 anos, fez várias tentativas frustradas de profissionalização da rede. A venda seria, portanto, uma das alternativas para perpetuar o negócio.

Já em relação à Cybelar, não há uma avaliação consensual. Foganholo acredita que, com esse negócio, a rede dá um passo para repetir a trajetória do Magazine Luiza, que, de Franca (SP), se tornou uma das maiores redes do País. Outros consideram a aquisição arriscada e difícil de ser "digerida" pela Cybelar.

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