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Da feira ao shopping center

História da Farm mostra como um produto pode fazer a diferença

Leonardo Pessoa, O Estadao de S.Paulo

17 de dezembro de 2008 | 00h00

Marcello Bastos, Nézio e Kátia Barros fazem parte de um movimento recente que mudou o quadro da moda brasileira. Eles participaram de uma turma que no final da década de 90 experimentou um jeito inovador de criar marcas ao expor peças exclusivas e diferentes na Babilônia Feira Hype, evento reconhecido como celeiro de talentos no Rio de Janeiro. Conseguiram mais do que traduzir a descontração carioca, mas fazer da moda do Rio alvo de desejo até fora do Brasil.A Farm, surgida em 1997 com um estande nessa feira, hoje está nos mais conceituados espaços comerciais no País. Os três empresários chegaram ao topo de vendas para um público seleto. Porém, com exigência de feeling, talento criativo e até uma bagagem pouco traumática. Isso porque antes de apostarem na grife carioca feminina, foram franqueados de uma marca paulista de roupas, negócio nada feliz para eles (no prejuízo, perderam três apartamentos e carros zero quilômetro). ''Numa conversa informal pensamos em vender alguns produtos que considerávamos mais a cara do nosso público'', comenta Bastos.Assim, Kátia Barros desenhou algumas peças inspiradas na jovem mulher carioca, com muitas cores, tecidos leves e despojados. Procurou fornecedores e em oito meses o estande da Farm era o que mais vendia. Durante dois anos, os sócios reinvestiram em produção. ''Já em 1999, não dava mais para depender do evento, até mesmo porque as filas eram enormes, e queríamos testar a marca na Zona Sul do Rio, nosso principal foco'', explica Bastos. A primeira loja foi em Copacabana. Com as vendas subindo, a Farm continuaria reinvestindo. Em 2001, partiu para Ipanema e a Barra. Um ano depois, veio a idéia de um shopping vertical no centro do Rio, e Bastos convidou várias marcas que também participavam da Babilônia Feira. ''Deu certo, e com as vendas em forte ritmo, todos os shoppings começaram a nos procurar'', lembra o empresário. ''Mas, ao contrário do que seria o convencional, tomamos uma decisão inédita e corajosa e não aceitamos os convites do Rio Sul e Barra Shopping (dois importantes centros de compras). Entrar ali poderia significar um grande risco, já que teríamos altíssimo fluxo de pessoas, mas talvez não conseguíssemos acompanhar a demanda'', acrescenta. Apostaram, então, no Shopping da Gávea, em 2003, lugar que também recebe a alta renda, mas com uma demanda menor.Em 2004, além de inauguradas lojas em Niterói (RJ) e no Rio Design Barra, a Farm chegava a Belo Horizonte. Um ano depois, uma segunda loja foi aberta na capital mineira. Brasília também ganhou a sua. Em 2006, Goiânia recebeu a loja Farm. Mas, foi em São Paulo que Bastos e Kátia provariam o poder de fogo da marca (Nézio continua na sociedade, mas não participa do dia-a-dia). ''Tínhamos decidido que só chegaríamos a São Paulo pelo Shopping Iguatemi. A negociação levou uns quatro anos'', diz. A Farm fez história no Iguatemi ao ser considerada a maior venda por metro quadrado no seu segmento. O sucesso garantiu em 2007 um espaço maior e repaginado para a marca. Sem divulgar faturamento, Bastos festeja o desempenho da Farm, que encerra 2008 com 21 lojas. Ele planeja ampliar a rede para 45 unidades até 2012. Os sócios comercializam cerca de 80 mil peças por mês e para 2009 prevêem um incremento de 40% sobre este ano. Já em 2010, o objetivo é internacionalizar a marca. Para isso, o Instituto Provar foi contratado para pesquisar a viabilidade da Farm em doze cidades no mundo. Barcelona é um dos possíveis destinos. ''Temos uma ligação muito grande com a cidade, pois a Farm mantém parceria com uma fábrica local para estampas''. Recentemente os sócios da Farm empreenderam mais uma vez. Desta vez não usaram um evento como a Babilônia, pelo foco da nova marca e também porque desenvolveram know-how para acessar os shoppings.Com investimento de R$ 1,5 milhão, a empresa de moda infantil A Fábula já inaugurou lojas no Rio Design Leblon, em novembro, além de outra em Ipanema, para venda por atacado. A terceira unidade é do Rio Design Barra, em dezembro.

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