Da vida de luxo para o trabalho duro na prisão

Madoff vai deixar seu apartamento de US$ 7 milhões para fazer serviço braçal na prisão e trocará a convivência com amigos pelo convívio com gângsteres

Steve Eder, Reuters, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

Ao deixar a companhia de milionários para dividir um pátio de prisão com traficantes de drogas e gângsteres, a vida de Bernard Madoff deve mudar drasticamente. O Departamento Federal de Prisões não decidiu onde Madoff, o mentor do esquema de pirâmide que lesou em bilhões de dólares centenas de investidores, vai cumprir a sua sentença de 150 anos de prisão. Não importa qual seja a prisão, ele não deve esperar uma acomodação de luxo, dizem ex-prisioneiros federais. Longe disso. Entenda como funcionava o esquema de pirâmide de MadoffMadoff, 71 anos, deixa sua mulher e seu apartamento de Manhattan, avaliado em US$ 7 milhões para, provavelmente ganhar alguns centavos por dia varrendo chão, limpando banheiros ou trabalhando na cozinha da prisão. Como todos os prisioneiros, os guardas deverão projetar uma luz no seu rosto duas vezes no meio da noite, parte das seis ou sete rondas diárias. "Uma das coisas mais difíceis que você enfrenta na prisão é a realidade da sua impotência", disse Jonathan Richards, autor de Prisão Federal - um amplo guia de sobrevivência, que esteve preso no Centro Médico Federal, similar a uma prisão de segurança média. "Durante toda a sua vida você come quando quer, dorme quando tem vontade, veste o que quiser. Repentinamente, é despojado dessa liberdade cotidiana."Embora Madoff possa ter ar-condicionado, se o clima assim o exigir, todas as mordomias da vida de luxo às quais estava acostumado vão desaparecer, seja enviado para uma prisão de máxima ou de média segurança.Quando chegar à prisão, verá que os sabonetes que usava não estão entre os itens do seu kit de higiene. Em vez disso, terá uma minúscula barra de sabão, uma escova de dentes, um pente e um aparelho de barbear."O sabonete é do tamanho de uma caixa de fósforos", disse Larry Levine, fundador do Wall Street Prison Consultantes, que passou 10 anos numa prisão federal. "Quanto ao aparelho de barbear, você mal consegue fazer a barba com ele."A comida é passável, e o tempo ao ar livre equivale a caminhar numa jaula ao céu aberto. O uniforme não deve chamar nenhuma atenção em termos de moda. As chances de Madoff administrar seu próprio clube de investimentos dentro da prisão são muito pequenas, mas quando não estiver trabalhando, terá bastante tempo para ler, escrever, se exercitar e até estabelecer relações com algum grupo de detentos. Ele pode escrever e receber cartas, fazer alguns telefonemas por 25 centavos o minuto, e talvez ter acesso a e-mails, embora suas mensagens devam ser monitoradas. Sua família e seus amigos podem visitá-lo, mas visitas íntimas estão proibidas."Você pode abraçar, beijar, mas as pessoas que o visitam, não", disse Levine, que passou pelas prisões de alta, média e mínima seguranças. "Você não pode ir a uma máquina automática e comprar um lanche sozinho - são elas que pegam para você. E, antes que você perceba, a visita terminou." O sistema prisional procura colocar os detentos em prisões que fiquem no máximo a uma distância de 800 quilômetros de onde residem as famílias, para tornar mais fáceis as visitas. Se as autoridades decidirem mantê-lo perto da família, Madoff poderá ficar na prisão de Otisville, Nova York, de segurança média a cerca de 115 quilômetros da cidade de Nova York. Em Otisville, os companheiros potenciais de Madoff são Emory Clash Jones, traficante de drogas; James Coonan, conhecido gângster e um mafioso condenado; Gregory Rago, integrante da máfia que ajudou a tramar o assassinato de Louis "Fat Lou" LaRusso; e Blake Prater, responsável por outra fraude de menor porte.

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