Dado do emprego nos EUA reduz chance de alta no juro

A taxa de desemprego nos Estados Unidos apresentou seu maior aumento em 22 anos no mês passado, sugerindo que os consumidores norte-americanos, que já enfrentam a crise no mercado de moradia e a disparada dos preços da gasolina, agora sofrerão com a crescente pressão do enfraquecimento no mercado de trabalho. O dado, que incluiu a quinta queda consecutiva no emprego, reduz a aposta de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) eleve o juro ainda neste outono (do hemisfério Norte).Após iniciar um movimento de redução da taxa básica de juros nos EUA desde setembro do ano passado até abril de 2008, passando o juro no país de 5,25% ao ano para 2% ao ano, esperava-se que o Fed fosse manter o nível atual, pelo menos, durante o verão (do hemisfério norte). As autoridades do Fed contavam com a folga desinflacionária que deveria vir da desaceleração da economia para compensar a alta nos preços de energia, alimentos e matérias-primas (commodities) e do dólar fraco para manter a inflação sob controle. Porém, as vagas ou folhas de pagamentos (payrolls), que são calculadas por uma pesquisa junto aos estabelecimentos, caíram 49 mil em maio, informou hoje o Departamento de Trabalho dos EUA. O declínio teve bases amplas, incluindo manufatura, construção, varejo e outros serviços. Além disso, o número de vagas eliminadas em abril e em março foi revisado para queda de 28 mil e 88 mil, respectivamente, mostrando quedas levemente maiores do que as estimadas anteriormente. Com isso, nos quatro primeiros meses do ano, o número de vagas de emprego eliminadas nos EUA soma 275 mil. A taxa de desemprego, que é calculada usando uma pesquisa separada junto a moradias, deu um salto de 0,5 ponto porcentual para 5,5%, seu maior nível desde outubro de 2004 e na maior taxa mensal desde 1986. Já os ganhos médios de salários subiram US$ 0,05, ou 0,3% (arredondados), para US$ 17,94. Isso representa apenas 3,5% sobre o ano anterior, sugerindo que os custos dos salários continuam contidos. "O salto mensal no desemprego reflete os trabalhadores adicionais que tinham perdido seus empregos assim como um aumento das novas pessoas que buscam empregos e outras que voltaram a procurar", disse Philip Jones, vice-comissário do Birô de Estatísticas do Trabalho. As informações são da agência Dow Jones.

REGINA CARDEAL, Agencia Estado

06 de junho de 2008 | 11h00

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