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Dado norte-americano agrada e Bovespa sobe 2,02%

Razão da melhora do humor nas bolsas nesta terça foi o índice de confiança dos consumidores americanos

Claudia Violante, da Agência Estado,

26 de maio de 2009 | 17h55

A volta dos investidores norte-americanos ao trabalho, depois da folga na segunda-feira com o feriado do Memorial Day, foi coroada por um indicador bem melhor do que as projeções. O dado teve força inclusive para inverter o rumo da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que abriu em baixa, mas passou a subir com o ingresso de recursos estrangeiros.

 

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O Ibovespa terminou o dia em alta de 2,02%, aos 51.840,80 pontos. Na mínima do dia, tocou os 50.074 pontos (-1,46%) e, na máxima, os 51.934 pontos (+2,20%). No mês, a bolsa acumula ganhos de 9,63% e, no ano, de 38,06%. Depois de registrar o menor desempenho de 2009 ontem, o giro financeiro deu uma engordada e totalizou R$ 5,017 bilhões. Os dados são preliminares.

 

A Bolsa doméstica abriu em queda, influenciada pelo dado ruim da S&P Case - Shiller, que registrou a maior retração em 21 anos no Índice Nacional de Preços das Residências, que caiu 19,1% em comparação ao mesmo período do ano passado. Também pesou o noticiário do setor de mineração e siderurgia, a respeito dos primeiros acordos sobre o preço do minério de ferro. A Rio Tinto fechou acordo com a siderúrgica japonesa Nippon Steel para vender minério de ferro com desconto de 33% a 44%. A Rio Tinto também fechou acordo com a JFE.

 

Numa segunda leitura, o acordo sobre preços acabou sendo visto com bons olhos, quando os analistas concluíram que a Vale, no final das contas, seria beneficiada. A explicação é que a brasileira vende um produto de melhor qualidade e deve obter um desconto menor em suas negociações. Em relatório divulgado hoje, analistas do JPMorgan consideram bom o resultado das negociações da Rio Tinto, levando-se em conta o cenário atual de demanda fraca e preços menores do aço no mercado spot.

 

Resta saber se a China vai seguir a referência ou se insistirá num corte maior. Representantes do setor siderúrgico chinês já afirmaram que não voltarão atrás em sua demanda por um corte mínimo de 40% para os preços contratuais do minério de ferro no atual ano fiscal, que termina em março de 2010.

 

Esse assunto ainda vai rondar o horizonte por várias sessões, mas, hoje, a melhora generalizada das bolsas levou os metais para cima e também os papéis da Vale, que subiram 2,07% na ação ordinária (ON, com direito a voto) e 1,38% na preferencial (PNA, sem direito a voto).

 

Destaques

 

Gerdau PN avançou 3,89%, Metalúrgica Gerdau PN, 2,11%, CSN ON, 2,88%. Usiminas PNA teve a menor alta do dia do setor, de 1,13%. Hoje, a empresa informou que 516 funcionários em duas usinas aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV), um número menor do que o exigido pela empresa. A companhia disse ainda que pretende demitir outros 810 funcionários até 30 de maio, para reduzir os custos com equipe para o nível "histórico" de 10% dos custos gerais.

 

Os ganhos de Petrobras foram maiores: +2,37% na ON e +2,40% na PN, seguindo a alta do petróleo. O contrato para julho avançou 1,26%, a US$ 62,45, a maior cotação do ano.

 

Estados Unidos

 

A razão da melhora do humor em Nova York hoje foi o índice de confiança dos consumidores norte-americanos da Conference Board, que saltou de 40,8 em abril para 54,9 em maio, superando a previsão dos economistas, de alta para 43.

 

Este indicador favoreceu as ações ligadas ao setor de consumo nos EUA - e também no Brasil, que ainda são beneficiadas pela perspectiva de corte dos juros na próxima reunião do Copom, no início de junho. O Dow Jones terminou a sessão em alta de 2,37%, aos 8.473,49 pontos. O S&P avançou 2,63%, aos 910,33 pontos, e o Nasdaq, 3,45%, para 1.750,43 pontos.

 

A ligeira defasagem a menor do Ibovespa hoje, segundo um experiente profissional do mercado, decorre da disparada da Bolsa doméstica em relação às bolsas norte-americanas e ao dólar. "Se levarmos em consideração a moeda norte-americana, o avanço do Ibovespa está em 50% a 60% no ano", calculou por cima.

 

Segundo ele, a melhora de hoje decorre do fluxo, no caso, estrangeiro, que se sobrepõe a qualquer notícia. "E nessa semana, de fim de mês, a tendência só podia ser de alta, ainda mais que não há nenhum dado com força para mexer no rumo", afirmou ao ponderar que os 52 mil pontos continuam como resistência.

 

Hoje, as ações de bancos foram destaque de alta, depois que o Bank of America Merrill Lynch elevou para "compra" a recomendação para os papéis do Itaú Unibanco e manteve os ratings de "compra" para as ações do Banco do Brasil e de "neutro" para Bradesco, segundo relatório divulgado hoje pela instituição financeira. Itaú Unibanco PN subiu 3,78%, Bradesco PN, 2,14%, e BB ON, 4,16%.

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