Dado parcial mostra mercado de trabalho estabilizado

Os dados de junho sobre o desemprego em cinco das seis regiões metropolitanas do País que integram a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) apontam para uma estabilidade no mercado de trabalho. O cenário econômico desaquecido fez com que não houvesse avanço nas contratações, apontou Cimar Azeredo, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

DANIELA AMORIM, Agencia Estado

26 de julho de 2012 | 12h13

"Os dados mostram que, em termos de mercado de trabalho, a gente não vê avanço nesse segundo trimestre. O mês de junho, que fecha o primeiro semestre, está estável. O mercado de trabalho mostra pouca variação nos últimos meses. Há estabilidade tanto no que tange à ocupação quanto no que tange à desocupação", afirmou Azeredo. "Havia expectativa de que esse dado fosse apresentar já aumento na ocupação e queda na desocupação em algumas áreas, mas isso não aconteceu", acrescentou.

A região metropolitana de São Paulo, responsável por 40% da pesquisa, voltou a apresentar taxa de desocupação de 6,5% em junho, mesmo resultado apresentado em março e abril. Em maio, a taxa tinha sido de 6,2%. Segundo Azeredo, a região é o grande exemplo do quadro de estabilidade que o mercado de trabalho atravessa. O número de trabalhadores com carteira assinada também ficou estável em junho ante maio, mas manteve o saldo positivo em relação ao mesmo mês do ano passado (4,8%).

"Manteve-se a qualidade do emprego. A gente tem a garantia da carteira de trabalho aumentando e redução da informalidade em algumas regiões. A carteira de trabalho está preservada praticamente nas cinco regiões. O poder de compra da população ocupada tem aumentado em praticamente todas as regiões, com exceção da região metropolitana de São Paulo, onde caiu 0,4% em relação a maio. Na comparação com junho do ano passado, todas as cinco apresentam evolução no rendimento", ressaltou o gerente do IBGE.

Segundo Azeredo, ainda não é possível falar em estagnação do emprego, a menos que a taxa de desocupação não comece a recuar a partir de julho, quando sazonalmente há aumento na ocupação.

O IBGE não divulgou a taxa nacional de desemprego em junho porque não recebeu todos os dados coletados na região metropolitana do Rio de Janeiro, que tem o segundo maior peso na pesquisa, diante da greve de servidores do instituto.

Embora todos os dados da situação do emprego tenham sido coletados na região metropolitana do Rio, apenas 60% chegaram aos técnicos do IBGE responsáveis pela consolidação e crítica dos resultados da PME. O Rio tem o segundo maior peso na pesquisa, cerca de 17% a 18%, só perdendo para São Paulo.

Sindicato

Os servidores em greve do IBGE dizem que não contestam a qualidade dos dados divulgados da Pesquisa Mensal de Emprego de junho, mas alertam que as próximas divulgações serão prejudicadas caso a paralisação permaneça.

Segundo Susana Drumond, diretora do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE), o processo de coleta vem sendo realizado por trabalhadores temporários, que não possuem a mesma capacitação dos técnicos concursados. A supervisão do trabalho de coleta e codificação das informações nas regiões pesquisadas também está comprometida, porque vem sendo feita à distância, pelo Rio de Janeiro.

"Se os trabalhadores estão em greve, alguém está produzindo os dados. E são os trabalhadores temporários. O quadro técnico do IBGE tem formação e capacitação, que a cada dia melhora. O temporário não tem a mesma qualificação", declarou Susana.

A realização de um concurso público para preencher as vagas de nível técnico e reduzir a dependência do IBGE de trabalhadores temporários está entre as reivindicações dos grevistas, que exigem ainda reajuste salarial de 22%, retroativo a 1º de maio. Outra preocupação dos grevistas é que, em três anos, 75% do quadro de servidores do IBGE estarão aptos a entrar com o pedido de aposentadoria.

A paralisação começou em 18 de junho nas unidades do Rio Grande do Sul, Piauí e Amapá, estendendo-se no dia 25 do mesmo mês para o restante do País, segundo o comando de greve. Apenas Ceará e Rondônia não teriam aderido ao movimento.

Segundo a Coordenação de Comunicação Social do IBGE, as próximas divulgações de indicadores estão mantidas, sem prejuízo de informações coletadas por enquanto.

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