Dados de 2014 mostram que desigualdade está caindo, diz governo

Entre 2012 e 2013, desigualdade teve leve piora no País, segundo a Pnad, mas ministros dizem que movimento foi apenas pontual 

Fábio Brandt, O Estado de S. Paulo

18 de setembro de 2014 | 16h00

Atualizado às 17h20 

BRASÍLIA - Os ministros Marcelo Neri (Secretaria de Assuntos Estratégicos) e Tereza Campelo (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) afirmaram nesta quinta-feira, 18, que a interrupção na queda da desigualdade de renda constatada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referente a 2013 já foi superada.

Segundo Neri, este ano já registra a maior queda na desigualdade dos últimos 10 anos. Com base na Pesquisa Mensal de Emprego (PME), feita pelo IBGE, ele disse que a desigualdade tem caído a 0,1 ponto ao mês no índice de Gini em 2014 e a expectativa é que a queda seja de 1,2 ponto.

Mais cedo, um documento divulgado aos jornalistas em nome do governo afirma que existe "avanço na qualidade de vida dos brasileiros". Após a divulgação da pesquisa, o dado que mais repercutiu foi a leve piora do índice de Gini, que mede a desigualdade. Segundo o IBGE a distribuição de renda voltou ao patamar de 2011, interrompendo uma série de queda da desigualdade que havia sido iniciada em 2002. Para o IBGE, no entanto, o quadro é apenas de estagnação. 

A Pnad é feita pelo IBGE anualmente e colhe dados referentes a todo o país. Já a PME é feita mensalmente com dados das regiões metropolitanas de Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Recife.

Questionado sobre a validade da comparação entre pesquisas com metodologias diferentes, o ministro afirmou que a PME é confiável porque "antecipou todas as quedas de desigualdade no Brasil" e eventos como a crise asiática, na década de 1990. "É um excelente indicador antecedente", disse.

A ministra Tereza Campello, por sua vez, rebateu os dados da Pnad dizendo que "a questão da desigualdade não pode ser medida só pela renda", que é o fator considerado no cálculo do índice de Gini. "Se a gente olhar a desigualdade como acesso a um conjunto de bens e direitos, a desigualdade vem caindo". Ela afirmou que é preciso levar em conta que programas do governo federal, como o Mais Médicos, diminuíram, segundo sua avaliação, a desigualdade no acesso à saúde.

"O salário real aumentou 5,7%, a formalização do trabalho bateu recorde e o trabalho infantil registrou a menor taxa da história", afirma o texto. Outro item destacado na análise é que "a presença de itens como fogões, geladeiras e TVs nas casas dos brasileiros está praticamente universalizada". 

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