Dados de Libra dão novo cenário ao pré-sal

Após a euforia das megadescobertas, áreas de exploração passaram por reavaliações

SABRINA VALLE / RIO , O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2013 | 02h05

Os dados geológicos mais recentes sobre a área gigante de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, jogam novo ânimo em relação ao potencial da camada pré-sal, que, após a euforia pós descoberta, passou por um período de reavaliação. A própria área de Libra já teve, em 2010, potencial máximo estimado em até 15 bilhões de barris - depois reduzido a um terço desse volume.

Agora, diante de estudos mais concretos, a área, localizada a 183 quilômetros da costa do Rio, pode ter de 8 bilhões a 12 bilhões de barris, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No mercado, estima-se que apenas o bônus de assinatura, pago pelas empresas à União para ter direito à concessão da área, custará alguns bilhões de reais. Para se ter uma ideia, os 142 blocos arrematados na 11.ª rodada de licitações, promovida pela ANP na semana passada, somaram, juntos, R$ 2,8 bilhões em bônus.

O volume total estimado na área ("in situ") está entre 26 bilhões a 42 bilhões de barris, mas apenas cerca de 30% do que está debaixo da terra costumam ser recuperáveis, em média. A estimativa da ANP varia de acordo com o resultado do poço, e leva em conta o resultado dos piores e melhores poços da região, considerada o filé mignon do pré-sal.

A agência perfurou um poço em Libra. São necessários vários para se provar uma reserva, já que há variação de porosidade das rochas, de extensão do reservatório e profundidade.

Risco. Nunca uma área foi ofertada com a ANP de posse de tantos dados geológicos, o que reduz o risco exploratório das empresas e aumenta significativamente o valor a ser pago pela concessão da área. O lance mínimo será divulgado pela agência em edital em meados de junho. A ANP também fará exigências em relação ao número de poços que precisarão ser perfurados.

Muitos dos lances em leilões são feitos com base em sísmicas simples, ou análise de poços em campos vizinhos. Além do poço de Libra, a sísmica 3D recém analisada pela ANP aumentou a profundidade do reservatório com óleo para 326 metros. Apenas o campo de Franco, da área da cessão onerosa - sistema no qual a Petrobrás pagou um determinado valor pelos direitos de exploração, sem precisar de licitação -, também já havia sido perfurado previamente pela agência, uma medida incentivada pelo governo para aumentar o conhecimento sobre o pré-sal. Um único poço em águas profundas costuma custar US$ 100 milhões. Libra fica 1.964 metros abaixo da superfície.

Foi a decisão do governo de conhecer melhor a área e elaborar um regime específico para o pré-sal (partilha) que fez o Brasil ficar cinco anos sem leilão de áreas. O leilão de outubro será singular, pois terá uma só área e lances únicos. Diante do tamanho de Libra e da necessidade de investimentos bilionários, espera-se que diferentes empresas se associem em consórcios para fazer os lances.

A presidente da Petrobrás, Graça Foster, afirmou ontem que a taxa de sucesso da estatal em sua exploração no pré-sal tem sido de 84%, porcentual muito acima da média mundial. Ela participou de evento na Firjan, mas saiu sem dar entrevista. / COLABOROU MÔNICA CIARELLI

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.