Dados do BC abrem nova esperança no 4º trimestre

O resultado de outubro - primeiro mês do último trimestre do ano - do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) que o Banco Central publica a cada mês, como para se antecipar ao PIB do trimestre, permite pensar que este final do ano será melhor para a economia do que os três trimestres anteriores, sem que isso signifique que o PIB dos três últimos meses ainda possa salvar o desempenho do ano de 2012.

O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2012 | 02h09

Com crescimento de 0,36%, inferior, pois, ao do mês anterior - e mesmo admitindo que esse índice possa embutir uma grande margem de erros -, ele representa uma tendência que merece consideração. Dados divulgados não só para outubro, mas também para novembro, levam à conclusão de que este último trimestre será o melhor do ano, o que não quer dizer que a economia brasileira saiu plenamente da marcha insatisfatória na qual se havia instalado.

A recuperação que se verifica tem pontos frágeis e aspectos condenáveis.

O governo não abandonou a sua visão de que o progresso da atividade econômica depende, essencialmente, do consumo das famílias. Na realidade, depende da qualidade da fonte do poder aquisitivo. Se, como se verifica no momento, ela repousa apenas na expansão do crédito - causa da elevação da inadimplência -, a economia se vê sustentada por meios não duráveis, que um dia ou outro acabam extintos.

Ao contrário, se se tem por base uma produção industrial que, de um lado, abastece o mercado interno e, de outro, participe do abastecimento do mercado externo, estamos na presença de um processo saudável. Agora, se o crescimento da demanda é satisfeito pela importação, estamos, como agora, num caminho arriscado.

Sabemos, no entanto, que a indústria produz e investe apenas se houver uma demanda crescente e que, muitas vezes, a bomba do crescimento deve ser reforçada por investimentos públicos, que darão impulso à atividade industrial. É justamente isso o que faltou em nossa economia neste ano e que compromete o seu crescimento. Tudo parece indicar que tais investimentos poderão ter maior amplitude no próximo ano. Falta, porém, até agora, que eles sejam administrados - no plano técnico e financeiro - com maior habilidade e competência do que hoje.

Isso vai depender, em grande parte, do modo como será distribuída a administração desses projetos entre os setores público e privado, como também do prazo no qual serão executados numa economia em que a inflação aumenta os custos.

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