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Dados do BC mostram queda da atividade no País

O IBC-Br de fevereiro, índice calculado pelo Banco Central que estima a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) - e que tem sido um instrumento confiável para acompanhar a conjuntura econômica -, foi divulgado ontem. Previa-se que indicaria uma estagnação da economia, mas foi pior do que se esperava.

O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h04

Superou em 0,86% o nível do mesmo mês de 2011, mas recuou pela segunda vez neste ano, acusando queda de 0,23% sobre janeiro, em termos dessazonalizados.

O recuo pode ser atribuído ao mau desempenho do comércio varejista, enquanto a indústria se mantém no marasmo. No PIB brasileiro, a participação do comércio é importante, portanto não surpreende que o índice tenha recuado em fevereiro em relação a janeiro, levando-se em conta a tradição brasileira de o mês de janeiro ser importante para o comércio varejista em razão das liquidações que se seguem às festas natalinas. Como já comentamos, em fevereiro o comércio varejista devolveu a forte alta registrada no mês anterior.

Porém, levando em conta o aumento da inadimplência e o crescimento do endividamento das famílias, é provável que, mesmo continuando a ser o carro-chefe do crescimento econômico, a demanda doméstica não terá um crescimento tão alto como o dos últimos anos.

É importante observar que os dados do Banco Central contradizem as previsões do ministro da Fazenda de um crescimento de 4,5%. Os que foram divulgados ontem permitem prever um crescimento dessazonalizado de 0,5% no primeiro trimestre, sobre o trimestre anterior, segundo a consultoria LCA.

Essa perspectiva parece indicar que a redução da Selic e, em consequência, das taxas de juros não teve o efeito esperado pelo governo. Essa frustração nos parece ter origem em dois fatores principais. O primeiro é que o governo não leva em conta, suficientemente, o endividamento das famílias, que conduz a uma atitude mais prudente e moderada nas compras, o que se deve em grande parte ao ingresso de novas famílias na classe C e que se estão sacrificando para ter acesso à casa própria.

O segundo fator está na insuficiência dos investimentos do governo federal em infraestrutura, repetindo o erro do ano passado. O jornal Valor estima que os investimentos da União, no primeiro trimestre, atingiram R$ 16 bilhões ou 24% mais que no mesmo período de 2011, mas foram investimentos dirigidos para o Programa Minha Casa, Minha Vida. Outros investimentos, com efeito mais difundido na economia, caíram 18%.

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