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Dados do BC mostrarão melhora no crédito, diz Mantega

Segundo ministro, grandes bancos já voltaram a liberar empréstimos, mas crédito ainda não está normalizado

Leonencia Nossa, Renata Veríssimo e Sandra Manfrini, da Agência Estado,

24 de novembro de 2008 | 18h54

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou nesta segunda-feira, 24, que os resultados parciais das operações de crédito no mês de novembro, que serão divulgados nesta terça pelo Banco Central, vão mostrar que já houve uma melhora em relação a outubro. "Não quer dizer que estamos numa normalidade. Não houve normalização (do crédito), principalmente porque os médios e pequenos bancos ainda não voltaram a atuar no mercado", disse o ministro, durante entrevista coletiva após a reunião ministerial. Veja também:Vácuo de poder nos EUA preocupa Lula, afirma MantegaDe olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  Segundo Mantega, o crédito melhorou em novembro na comparação com o mês anterior, mas não está "no ponto ideal, satisfatório". Ele reconheceu que os grandes bancos do País, num primeiro momento da crise, retiveram crédito, mas afirmou que eles já voltaram a liberar empréstimos. O ministro afirmou que a reação inicial dos bancos de "segurar um pouco o crédito" foi tomada como reação ao "impacto muito forte" que a crise teve lá fora. "Agora, num segundo momento, os grandes bancos, pelo que sei, já voltaram a emprestar no volume anterior à crise", disse o ministro. Segundo Mantega, o problema de escassez de liquidez atinge, neste momento, os pequenos e médios bancos. "Essa faixa do setor financeiro está sem crédito. Embora nós tenhamos liberado crédito para a compra das carteiras deles, eles não conseguiram recursos para voltar a empresar." Ele afirmou, também que o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF) aumentaram o ritmo de liberação de crédito, em outubro, em relação a setembro. Segundo ele, o BB teve um aumento na liberação de 4,5%. "Aumentou a velocidade de liberação do crédito." Exportações O ministro observou que está faltando também o crédito externo que era obtido pelas grandes empresas brasileiras e que está faltando recursos para operações de Antecipação de Contratos de Câmbio (ACC), que representavam 8% de todo o crédito "e devem ter caído pela metade". "No total, temos uma redução do crédito que leva a uma redução do crescimento", reconheceu Mantega. Acrescentou, porém, que a economia estava trabalhando "com folga" e que, mesmo com a redução, "ainda haverá uma folga" nos próximos meses. "Se a demanda cair 3%, 4%, ainda estaremos com excelente patamar. Mesmo que haja uma queda na atividade econômica, ainda assim teremos um crescimento econômico razoável", previu o ministro da Fazenda.  O ministro avaliou que os exportadores brasileiros, no momento de redução do mercado internacional, serão compensados com a possível desvalorização do real. Ao responder a uma pergunta sobre a situação dos exportadores, ele afirmou que o cenário no primeiro semestre de 2009 não será tão ruim para as exportações. "Embora o cenário possa piorar com a redução do comércio internacional, a mudança no câmbio traz compensação para os exportadores", disse. "Se o real se desvalorizar, os exportadores terão uma compensação mais do que suficiente para manter os rendimentos e aumentar a competitividade do produto brasileiro."  Na avaliação de Mantega, a crise financeira "paralisou" o comércio, mas todos os setores exportadores estarão "rearrumados". "Se diminui a quantidade (do comércio) em 10% e a desvalorização cambial for de 45% ou 50%, eles (exportadores) terão uma compensação mais do que suficiente", afirmou o ministro. Mantega observou que na última quinzena, houve um "aumento forte das exportações".  PAC Mantega ressaltou que a prioridade dada pelo presidente Lula é de manutenção dos investimentos, o que já é, na avaliação do ministro, uma política anticíclica. "Isso mantém no Brasil um grande canteiro de obras. Não vamos reduzir, interromper (investimentos). E vamos fazer tudo para manter as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no ano que vem", disse o ministro, acrescentando que, se houver queda na arrecadação, os cortes virão no custeio. Segundo ele, as despesas essenciais para manter o crescimento, gerar emprego e renda serão preservadas. O ministro destacou também que o governo tem atendido setores prioritários da economia, como o agrícola e o automobilístico. "Um que depende mais do crédito (agrícola) e outro que emprega mais gente (automotivo)", disse. Mantega ressaltou que somente o setor de motos representa 50 mil empregos na Zona Franca de Manaus, por isso, as recentes medidas beneficiando o segmento. "Estamos muito atentos aos impactos setoriais", disse.

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