Dados do crédito mostram impacto das medidas prudenciais, diz BC

Avaliação é sustentada pela queda de 33,5% nas concessões de crédito para veículos e de 10,2% no crédito pessoal em janeiro

Fabio Graner, da Agência Estado,

24 de fevereiro de 2011 | 13h14

O chefe-adjunto do departamento econômico do Banco Central, Tulio Maciel, salientou que os números do crédito em janeiro evidenciam o impacto das medidas macroprudenciais adotadas pelo BC em dezembro do ano passado. Ele salientou que a queda de 33,5% nas concessões de crédito para veículos e de 10,2% no crédito pessoal em janeiro ante dezembro sustentam essa avaliação. As concessões para bens de consumo duráveis caíram 33,2% na mesma comparação.

Apesar de reconhecer que o segmento de veículos tem uma sazonalidade negativa em janeiro, Maciel disse que o impacto das medidas macroprudenciais amplificou a tendência de queda nessa modalidade no mês. O técnico afirmou que, a despeito de a sazonalidade de um forma geral afetar negativamente as concessões de crédito para pessoa física em janeiro, seria "ilógico" acreditar que as medidas adotadas não tiveram efeito. Ele também salientou que como o mercado antecipava uma elevação na taxa de juros básica (Selic), a política monetária também já teve efeito nos dados do crédito em janeiro.

Para Maciel, o mês de janeiro foi marcado por uma mudança de patamar na taxa de juros praticada no crédito para pessoa física, refletindo as ações do BC. Ele informou que a taxa média do crédito livre para pessoa física em janeiro, de 43,8% ao ano, foi a mais alta desde outubro de 2009. Para as empresas, a taxa de 29,3% foi a maior desde fevereiro de 2009. Na média geral do crédito livre, a taxa de 37,4% foi a mais alta desde maio de 2009.

Ele descartou a ocorrência de uma migração dessas linhas para modalidades mais caras, como cheque especial e cartão de crédito, que pelo critério de média de concessões foram as únicas modalidades com elevação nesse indicador.

Sobre o desempenho no crédito pessoa jurídica, Maciel disse que a queda forte nas concessões (19,1%) ocorreu basicamente em função da sazonalidade do período. "O comportamento do crédito para as empresas em janeiro está associado ao ciclo produtivo", disse. 

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