Dados indicam que inadimplência pode começar a cair, afirma Trabuco

Redução pode ter impacto nas despesas com provisões nos próximos trimestres 

Altamiro Silva Júnior e Aline Bronzati, da Agência Estado,

23 de julho de 2012 | 11h59

SÃO PAULO - A inadimplência atingiu um nível de estabilidade e os dados sugerem que ela pode começar a cair, destaca o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi nesta segunda-feira em teleconferência com jornalistas para comentar os resultados trimestrais do banco. Essa redução pode ter impacto nas despesas com provisões nos próximos trimestres.

"Continuamos tendo política prudente de provisionamento", afirmou. Trabuco destaca que há um processo de desalavancagem das empresas, renegociação de dívidas e uma nova composição de produtos de empréstimos do banco, com carteiras de menor risco ganhando espaço. O Bradesco fechou o segundo trimestre com inadimplência de 4,2%, considerando os atrasos acima de 90 dias, ante 4,1% no período anterior.

Sobre o crédito, Trabuco destacou que o banco mudou a projeção, baixando a expectativa de alta para um patamar "extremamente realista", de 14% a 18% em 2012, ante um intervalo anteriormente previsto de 18% a 22%.

Além disso, ele destacou que essas taxas ainda são "excepcionais", considerando o menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e o desempenho dos empréstimos em outros países.

"A mudança da economia brasileira nos últimos anos criou um novo momento para o Bradesco", disse Trabuco. "Procuramos alcançar forte sinergia entre produtos da área financeira e da área de seguros", disse o presidente do banco, destacando que a área de seguros é uma das com maior potencial de crescimento.

Trabuco reforçou que o Bradesco busca um nível adequado de provisões e melhorar a eficiência, além de manter a estratégia de crescimento orgânico.

Para 2012, o executivo destacou que o banco vai investir R$ 5 bilhões, principalmente em tecnologia, infraestrutura e modernização de redes de atendimento e equipamentos. "Isso dá ideia do compromisso que nós temos com o crescimento brasileiro".

Retorno sobre o patrimônio

Manter um retorno sobre o patrimônio na casa dos 20% nos próximos anos é sustentável para o Bradesco, avalia Trabuco.

Trabuco destaca que o banco tem conseguido manter as despesas sob controle, mesmo com a abertura de mais de mil agência no segundo semestre do ano passado.

Sobre os spreads (a diferença entre a taxa que o banco paga para captar recursos e a que ele empresta aos clientes), Trabuco disse que em determinadas linhas de negócios, como crédito a empresas, eles já estão em níveis adequados, mas em outras o spread pode cair.

"Temos uma visão que a redução (dos spreads) é continua e nos próximos dois a três anos vamos ver transformação muito grande", afirmou o presidente do Bradesco. "Essa é uma demanda da sociedade, das pessoas, das empresas", ressaltou na teleconferência. Para Trabuco, as taxas de juros mais baixas vieram para ficar.

Crédito

O Bradesco espera retomada de crescimento mais acelerado do crédito no segundo semestre, disse o diretor executivo do banco, Luiz Carlos Angelotti. O executivo também destacou que deve haver uma melhora gradual das taxas de inadimplência nos próximos dois trimestres, por conta da queda da taxa básica de juros e maior dinamismo da economia.

Mesmo com um crescimento mais robusto no segundo semestre, o desempenho geral da carteira em 2012 vai ficar abaixo do que o Bradesco esperava no início do ano. Por isso, o banco reduziu suas estimativas de crédito para 2012, de um intervalo de 18% a 22% para 14% a 18%.

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