Dados mostram aumento da demanda imobiliária

As vendas de imóveis novos, em São Paulo - de 3.278 unidades em maio -, caíram 6% em relação a abril, mas cresceram 20,2% em relação a maio do ano passado, segundo o sindicato da habitação (Secovi). A comparação entre os primeiros cinco meses de 2012 e 2013 foi mais favorável, com vendas de 13.628 unidades, alta de 34,5%. Os números são vistos como positivos pelo setor da construção civil, mas apenas demonstram que existe uma demanda persistente que contrasta com a deterioração das perspectivas relativas ao emprego e à renda. Cabe indagar por que isso se verifica.

O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2013 | 02h13

Incorporadores e construtores trabalham com a certeza de que oferecem um produto desejado e por isso a demanda se mantém, mesmo em períodos de baixo crescimento econômico. De fato, centenas de milhares de jovens se casam ou deixam a residência dos pais a cada ano.

Dados da Fundação Getúlio Vargas mostram, por exemplo, que diminuiu de 26,2% o porcentual de famílias que já não precisam viver na casa dos pais ou de parentes (em regime de coabitação), porque o programa oficial de habitação popular facilitou o acesso à moradia própria.

Em maio, predominaram na capital as vendas de apartamentos de dois dormitórios, responsáveis por 47,4% das vendas totais, segundo a pesquisa. Mas o destaque foram os imóveis de um dormitório, cujas vendas cresceram 41,6% em relação a abril e participaram com 27,4% das vendas totais. É sinal de que a demanda é mais vigorosa nas unidades menores, normalmente destinadas a casais sem filhos ou solteiros. É uma tendência usual nas metrópoles, não só brasileiras, mas que aqui parece estar crescendo.

Outro sinal favorável ao setor de imóveis é o indicador VSO (vendas sobre a oferta), que passou de 61,4%, em maio do ano passado, para 62,7%, em maio último, melhor desempenho desde setembro de 2011 (64,4%).

O mercado imobiliário depende de crédito farto a custos módicos - ainda que sujeitos a leve alta em decorrência do aumento da taxa básica de juros, que provoca uma elevação da remuneração dos depósitos de poupança, de onde saem os recursos para o crédito imobiliário.

Numa fase de indefinição quanto ao ritmo da atividade, os construtores não podem ignorar que as vendas dependem do comportamento do Produto Interno Bruto (PIB). Se a tendência de fraqueza do PIB prevalecer, os compradores finais também tenderão a ser mais cautelosos.

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