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Daniel Stieler, do fundo de pensão da Nossa Caixa, deve presidir a Previ

Nome foi bem recebido nos bastidores, por ser considerado 'sério e competente'; com perfil técnico, ele acumula passagens no Banco do Brasil e também na própria Previ

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2021 | 00h31

O atual presidente da Economus, Daniel Stieler, deve ser indicado em breve como o novo líder da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, apurou o Estadão/Broadcast. Seu nome já teria recebido sinal verde da Casa Civil, conforme fontes, na condição de anonimato, mas ainda falta ser aprovado em outras instâncias como, por exemplo, a Previc, que regula o setor de previdência complementar fechada.

Stieler, de 56 anos, sucederá o até então presidente da Previ, José Maurício Coelho, que apresentou sua carta de renúncia nesta semana. Ele está no comando da Economus (fundação da antiga Nossa Caixa, banco que foi adquirido em 2009 pelo BB) desde o início do ano. Antes, foi diretor de controladoria do BB. Atuou ainda como conselheiro fiscal da Previ.

Considerado técnico e com habilidades tanto na área de fundo de pensão quanto no próprio banco, seu nome foi bem recebido, de acordo com três fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast. "É sério e competente", diz um ex-executivo do banco, que prefere o anonimato.

A troca de presidência da Previ ocorre em meio à mudança de comando no BB, com a chegada de Fausto Ribeiro, em abril, no lugar de André Brandão, após desgaste do executivo junto ao presidente Jair Bolsonaro, que discordou de um plano de reestruturação que incluía fechamento de agências e corte de funcionários. Na nova gestão, toda a alta cúpula do banco público foi trocada e mudanças em coligadas como a Previ, por exemplo, já eram esperadas.

Ciente de que não seria mantido no posto, o atual presidente da Previ decidiu se antecipar e renunciar ao cargo antes do fim do seu mandato, que se encerraria em maio de 2022. O motivo para a sua saída, no cargo desde julho de 2018, não foi explicado pela Previ. De acordo com fontes, pesou na decisão do executivo a repercussão da venda milionária de parte das ações que a Previ detinha na BRF em uma operação em que a Marfrig passou a deter 24% de participação dois anos após uma tentativa frustrada de uma fusão com a concorrente. A operação deve ser investigada por órgãos reguladores.

Diante da repercussão do caso, Coelho teria sinalizado ao novo presidente do BB sua intenção de deixar a Previ, no início da semana. Seu pedido de renúncia terá efeito a partir de 14 de junho de 2021. A saída de Coelho chamou atenção por causa da pressão política crescente por parte do Centrão, em especial do Progressistas (PP), por cargos no governo Bolsonaro, em especial, nas empresas estatais. O BB é um dos alvos, de acordo com fontes de Brasília.

Pressão

Na semana passada, o presidente da Cielo, controlada pelo banco público e pelo Bradesco, Paulo Caffarelli, também pediu renúncia do posto diante da insatisfação do Planalto com o executivo. Com passagens pelo BB nos governos dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer, ele não era visto como um aliado da gestão Bolsonaro e vice e versa.

Apesar da pressão política, a troca do comando da Previ tem sido comum em mudanças no comando do BB. As exceções foram as últimas gestões, do economista Rubem Novaes e André Brandão, vindo do HSBC. Ambos mantiveram Coelho - escolhido ainda na gestão de Caffarelli. A indicação para a presidência do fundo de pensão do banco público cabe ao presidente do BB.

O temor de uma indicação política para presidir a Previ preocupou os funcionários do BB nas últimas semanas, em especial após a renúncia de Coelho. A própria base do banco luta contra ingerências no comando da fundação, responsável por gerir as aposentadorias do quadro do conglomerado. Além disso, as regras de governança da Previ são consideradas, segundo fontes, pesadas para a seleção de presidentes, incluindo exigências como funcionários de casa e da ativa.

A expectativa era de que um novo nome para liderar a fundação fosse escolhido até o fim desta semana, conforme antecipou o Estadão/Broadcast. Com cerca de R$ 250 bilhões em ativos sob gestão, a Previ possui participação em empresas como Petrobras, Vale, Embraer e Gerdau, e é hoje o maior fundo de previdência do País. Procurado, o BB não comentou.

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