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Das 22 térmicas controladas pela Petrobrás, 16 têm problemas

O volume de energiaequivale a um terço detodo o parque térmico,paralisado por falhastécnicas e manutenção

André Borges, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2015 | 03h13

BRASÍLIA - O governo da presidente Dilma Rousseff poderia ter sido bem mais ousado no pedido que fez à Petrobrás para a ampliação da geração de suas usinas térmicas não fosse o grande volume de paralisações que afeta as plantas da companhia.

Levantamento feito pelo Estado revela que das 22 usinas térmicas que a Petrobrás tem, seja como controladora ou acionista, 16 sofrem hoje algum tipo de restrição operacional ou está em fase de manutenção.

Essas 16 usinas teriam capacidade de entregar até 5.574 megawatts (MW) ao sistema elétrico do País. Mas, efetivamente, só podem oferecer cerca de 3.700 MW disponíveis - aproximadamente 1.870 MW da capacidade está fora do ar.

Trata-se de um volume considerável de energia, equivalente a um terço de todo o parque térmico do País que está paralisado em razão de falhas técnicas e processos de manutenção.

Na segunda-feira, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, informou que, até o dia 18, a Petrobrás vai adicionar 867 megawatts (MW) ao parque nacional de geração, trazendo para o sistema máquinas que estão paralisadas.

Entre os projetos mencionado por Braga está a térmica Sepé Tiaraju (RJ), usina de 170 MW que, até ontem, estava completamente paralisada.

A relação inclui ainda a usina Governador Leonel Brizola (RJ), que pode gerar até 1.058 MW, mas tem entregado apenas 800 MW. Em São Paulo, a usina Fernando Gasparian tem capacidade total de 576 MW, mas está com déficit de 301 MW.

Gás. Duas semanas atrás, conforme revelou o Estado, a térmica Suape II, maior usina a óleo do Brasil, com 381 MW, teve de ser paralisada por conta de panes graves ocorridas em algumas de suas máquinas.

A usina, que tem a Petrobrás como acionista, vem retomando gradativamente suas operações, mas só deve estar em pleno funcionamento a partir de abril.

Dona de boa parte da geração térmica do País, a Petrobrás tem registrado resultados bilionários com a oferta de energia dessas usinas, em razão do preço alto que o setor elétrico tem de pagar por sua geração.

Em 2011, a estatal faturou US$ 2,4 bilhões com suas térmicas, resultado que saltou para US$ 3,7 bilhões em 2012 e chegou a US$ 5,2 bilhões em 2013. A Petrobrás ainda não informou quais foram os resultados financeiros obtidos com as térmicas no ano passado.

A capacidade total de geração térmica do Brasil chega a 22 mil MW. No entanto, diariamente, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem de se virar com cerca de 16 mil MW, pois os demais 6 mil MW sempre estão indisponíveis.

Reclamações. Empresários do setor de energia têm reclamado de utilização excessiva das máquinas, o que pode estar por trás do grande volume de paralisações. Planejadas para funcionar com menor carga horária, essas usinas passaram todo o ano de 2014 ligadas e também devem seguir da mesma forma neste ano, para tentar garantir o abastecimento do País e reduzir a crise sobre os reservatórios das hidrelétricas.

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