Das lutas de jiu-jítsu para a gestão de um negócio

Responsável pela operação no Brasil da Sourcefire - empresa americana de segurança da informação que faturou US$ 130 milhões em 2010 -, Raphael D'Ávila, de 36 anos, considera que o autocontrole obtido com esportes e lutas profissionais de jiu-jítsu durante a adolescência e juventude foi essencial para vencer os desafios que enfrentou ao longo da sua vida e de sua carreira. Deu aula de jiu-jítsu, foi dono de lanchonete aos 17 anos e depois se achou na tecnologia da informação, mais especificamente em segurança da informação. Passou por empresas de segurança da informação como Módulo, ISS, CheckPoint e McAfee antes de chegar à Sourcefire.

Entrevista com

/C.M., O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h09

Você nunca tinha ocupado

um cargo parecido, não?

Não. Fui crescendo no segmento de tecnologia de informação e de segurança. Primeiro, como técnico, cuidando dos serviços de operação, de suporte, de atendimento. Depois, passei por uma fase de consultoria na qual emitia relatórios e fazia sugestões de melhoria. Também fiz auditoria e ainda liderei projetos, preparando todo o escopo de como esse trabalho deveria acontecer, fazendo o seu acompanhamento e coordenando equipes, orientando pessoas. Daí, atuei na parte de vendas, fazendo toda a parte de negociações, de preparação de proposta, liderança de todos processos de venda. E agora, estou nesta função de "head" da companhia há dois anos,

Você se assustou quando foi chamado para este cargo?

Olha, não me assustei. Acredito no meu potencial, justamente por ter passado por todas essas etapas. Acho que a minha vida sempre foi de ter desafios e superá-los. Comecei bem cedo em todas as etapas. Então para mim, não assustou. Deu mais motivação.

Começou cedo como?

Essa é uma parte que eu costumo achar interessante. Quando você fala do desafio, se eu me senti assustado com isso e eu coloquei que é o desafio que me motiva, na verdade minha vida começou cedo desse ponto de vista. Fui praticante de esportes, e enveredei, num determinado momento para um caminho de lutas - gostava de judô e lutei jiu-jítsu na adolescência profissionalmente. Isso me ajudou a superar muitos medos. Cada campeonato, cada luta que eu tinha era um desafio que me motivava a me superar. Então, trouxe isso da minha história de adolescência e juventude de lutas para o meu lado profissional. A conquista do controle que essas situações exigem ajuda a se sair bem em uma conjuntura que o ameace. Isso também foi criando minha estrutura para poder suportar os negócios.

O início foi no esporte?

Comecei a dar aula de jiu-jítsu, fui monitor para crianças aos 16 anos de idade. E aí comecei a arriscar também como empreendedor. Tive uma lanchonete numa escola e foi também um desafio. Eu já estava buscando ter minha independência, apesar de ainda ser adolescente. Nesse momento, também passei a buscar a tecnologia. Foi na época do boom da tecnologia, de redes, e eu comecei a me interessar por essas coisas. Achava que tinha de saber um pouco de tudo. Fiz cursos técnicos de montagem de computador e conheci essa tecnologia. Hoje, compra-se no supermercado um Dell, um Compaq, mas antigamente se adquiria aquelas máquinas que a gente montava e não tinha uma marca. Eu montava tudo isso. A segunda etapa foi me especializar em cabeamentos de rede, de intranet. As redes internas das empresas estavam crescendo muito. Numa oportunidade que tive, comecei a trabalhar com produtos de segurança, o que me motivou muito a conhecer sobre o setor.

Qual é o maior desafio agora?

É manter o crescimento da companhia no Brasil. No primeiro ano, saímos de um momento zero e se atinge rapidamente as metas, porque do zero para chegar acima é muito rápido. E aí você tem que continuar mantendo um crescimento sustentável da companhia. Temos de crescer 70%? Então vamos fazer prospecção, estudar o mercado, os clientes, o nosso portfólio e discutir internamente como atingir o objetivo.

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