Das quadras de tênis para os negócios

Das quadras de tênis para os negócios

Cássio Motta, tenista paulista que fez carreira nas décadas de 80 e 90, [br]investe em empresas de tecnologia e fatura R$ 60 milhões por ano[br]Investimentos. Venda de passagens de ônibus pela internet é a nova aposta de Cássio Motta

Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

Foi nas quadras de tênis que o empresário Cássio Motta aprendeu a fazer negócios. Ex-tenista profissional, vencedor de torneios nacionais e internacionais entre as décadas de 80 e 90, Motta enveredou naturalmente pelo mundo do empreendedorismo depois que aposentou as raquetes, em 1994. De lá para cá, foi sócio numa cervejaria, criou um dos primeiros call centers do País e hoje investe, simultaneamente, em sete pequenas empresas, que juntas faturam cerca de R$ 60 milhões por ano.

A mais recente delas é a Web Passagens, lançada há uma semana com uma proposta inédita no País: a de concentrar num site a venda de passagens rodoviárias pela internet. O serviço é semelhante ao que já existe no setor aéreo, mas com algumas regalias para as classes C e D, como o pagamento em dinheiro, cobrado em casa, e a entrega em domicílio. Para tornar viável esse esquema, Motta tem participação também em uma empresa de logística, a Direct Express. "Prefiro investir em empresas de utilidade pública, que façam diferença para muita gente", disse.

Nos negócios, todos voltados para a área de tecnologia, nada lembra os anos dedicados ao tênis ? a não ser seu próprio nome. Além da academia, passagem quase obrigatória depois do escritório, Motta reserva um tempo na agenda apenas para jogar golfe. Faz cinco anos que não chega perto de uma raquete.

O tênis está presente de outra forma em seus empreendimentos. Todo o conhecimento que Motta aplica hoje na gestão de seu fundo de investimentos vem daquela época. "Planejar uma partida e estudar o adversário são coisas que estão 100% ligadas ao que faço hoje."

Relacionamento. Outra herança das quadras foi a rede de relacionamentos. Alguns dos companheiros de partida tornaram-se sócios ou peças-chave para a finalização de contratos que surgiram pelo caminho. "O tênis me deu a possibilidade de conhecer muita gente interessante", diz. O empresário faz questão de ressaltar que esses relacionamentos surgiram "de camiseta", e não "de terno e gravata" ? num clima de descontração que facilitou, no futuro, uma aproximação para tratar de negócios.

O primeiro sócio de Motta foi o também tenista e parceiro de quadra Luis Mattar. Os dois abriram uma cervejaria em São Paulo, numa sociedade com o gaúcho Dado Bier, que durou cinco anos. "Era um negócio muito bom, mas não conseguimos aumentar nossa participação na marca e resolvemos cair fora."

Ao deixar o negócio, um dos sócios veio com a ideia de montar um tal de "call center", "coisa que daria muito certo no futuro", mas da qual Motta nunca tinha ouvido falar. Daí surgiu a Telefutura, que em 2007 foi vendida para a Tivit, prestadora de serviços em infraestrutura de TI. No ano passado, a companhia começou a negociar ações na BM&FBovespa, numa operação de abertura de capital que levantou R$ 660 milhões.

Com a Telefutura estruturada, Motta quis empreender de novo e investir o que ganhou na empresa em um novo negócio. Para isso, criou um fundo de investimentos. "Tomei essa decisão porque o fundo tem mais credibilidade no mercado."

O primeiro investimento foi uma empresa de viagens corporativas, a GI Turismo, vendida anos depois. Agora, além da Web Passagens, Motta investe em plataformas de rede social para a camada Geração Y (www.sixpix.com.br) e para empresários, por meio do site Integra Global (www.integraglobal.net). Esse sistema permite o contato entre pessoas interessadas em fechar negócios.

Até o fim do ano, o ex-tenista deve concretizar o investimento em pelo menos mais três iniciativas relacionadas à tecnologia. Ele recebe de cinco a dez propostas por semana para analisar. "Mas é preciso ter cautela ? isso também aprendi jogando tênis."

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