Daslu volta a ser alvo de investigação

A Daslu volta a ser alvo de investigação do Ministério Público Federal e da Receita Federal. Desta vez, também é investigada a Columbia Trading, uma das maiores empresas que atuam no setor de comércio exterior em Santa Catarina, contratada pela Daslu para importar suas mercadorias. A suspeita é que a Daslu, atuando por esta importadora, sonegue impostos.Nesta segunda-feira, o procurador da República Matheus Baraldi Magnani anunciou que foi descoberta uma carga que vinha da Europa em containers importados pela Columbia Trading em janeiro deste ano. A carga era composta por bolsas Chanel, no valor de R$ 1,700 milhão. A sonegação de impostos sobre este valor chegaria a R$ 330 mil.O fato é que a Columbia Trading não declarou à Receita Federal que a carga era da megaloja. Com a introdução irregular da carga no país, segundo avaliação da Receita Federal, a Daslu deixou de recolher o IPI (Imposto Sobre Produto Industrializado), que incidiria sobre a margem de lucro da loja ao vender a carga, cujo valor de varejo é avaliado em R$ 5 milhões. Descontados os R$ 170 mil recolhidos pela Columbia, deixaram de ser pagos pela megaloja mais R$ 330 mil de IPI.A fraude foi flagrada pela Receita Federal em janeiro deste ano no aeroporto de Navegantes, onde a carga foi apreendida. Os produtos importados tinham a etiqueta da Columbia Trading sobreposta à da butique de roupas de luxo."A Columbia Trading tentou introduzir a carga no país sonegando informações ao Fisco, tomando para si a importação. Dessa forma, a Daslu deixa de recolher o IPI sobre a margem de lucro, pois só é pago o IPI do valor da carga (R$ 170 mil)", explicou o procurador.As investigações já apontaram que existem mais cargas irregulares. Uma troca de e-mails entre a Daslu e a Columbia Trading comprova esta tese, conforme Baraldi.O procedimento está em Santa Catarina. Em São Paulo, o procurador vai apresentar a documentação do procedimento à Justiça Federal . A dona da Daslu, Eliana Tranchesi, tem um processo também com a acusação de sonegação fiscal em andamento, e que por ser ré primária responde em liberdade. "É uma reiteração criminosa e um desafio perante o poder judiciário", disse Baraldi.Procurado pela reportagem do Estado, o advogado da Daslu, Arnaldo Malheiros Filho disse que ainda não tem conhecimento do caso e, portanto, não fará comentários.

Agencia Estado,

22 de maio de 2006 | 20h15

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