DAVOS-Empresários apelam por liderança de BCs em meio à crise

Líderes empresariais afetados pelaforte queda nos mercados globais fizeram, nesta quarta-feira,um apelo para que o Federal Reserve e outros bancos centraisassumam o controle da situação econômica global. Alguns deleschegaram a acusar os BCs de terem perdido a cabeça. Com os preços das ações despencando novamente apesar de umcorte emergencial da taxa básica de juro dos EUA naterça-feira, a fim de combater temores de uma recessão, altosexecutivos expressaram preocupação ao se reunirem para umencontro anual no resort suíço de Davos. "Os bancos centrais perderam o controle", disse omegainvestidor George Soros, ecoando preocupações de muitos dosmais de 2.000 líderes empresariais e políticos que chegam àmontanhosa cidade para o Fórum Econômico Mundial. Em um debate sobre a economia norte-americana, 59 por centodos participantes concordaram com uma indicação de que oslíderes dos bancos centrais perderam o controle. Autoridades deWashington tentaram rebater o pessimismo. "A economia norte-americana tem fundamentos econômicossaudáveis", disse David McCormick, subsecretárionorte-americano do Tesouro para Assuntos Internacionais,desafiando o ponto de vista de muitas pessoas a seu redor deque a recessão nos EUA é inevitável. "Embora continuemos a acreditar que a economia dos EUAcrescerá, ela irá crescer a um ritmo mais lento e não há dúvidade que os riscos adversos aumentaram", acrescentou. Mas muitos executivos disseram que a decisão surpresa doFederal Reserve de cortar a taxa básica de juros em 0,75 pontopercentual pareceu uma medida desesperada. "Estou um tanto preocupado de que tudo o que eles fizeramontem (terça-feira) foi apertar o botão para adiar o problema.(Isso representa) excessiva acomodação monetária que só nosleva de bolha para bolha para bolha", disse Stephen Roach,chefe do banco Morgan Stanley para a Ásia. Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro norte-americano,também foi crítico: "É difícil dar uma nota alta (aos bancoscentrais) sobre o que aconteceu nos últimos seis meses." Já John Snow, outro ex-chefe do Tesouro, deu mais apoio aoFederal Reserve. "O que a ação de ontem nos mostra é que o Fed está focado,mas eles estão cientes de tendências negativas na economia e seprepararam para tomar medidas audaciosas", complementou. MEDO DE RECESSÃO Líderes políticos e empresariais que se reúnem em Davostemem estar enfrentando a maior crise financeira desde aSegunda Guerra Mundial. O corte emergencial da taxa de juro dos EUA na terça-feira,após dois dias de grandes quedas das ações, ditaram o tom dareunião do Fórum Econômico Mundial, onde estrelas financeiras,industriais e políticas, incluindo a secretária norte-americanade Estado, Condoleezza Rice, são esperadas. Formuladores de política acostumados com conversas brandasno esplendor do inverno dos Alpes suíços passarão neste ano porum período mais "tórrido", à medida que os líderes empresariaisse debruçam sobre as perspectivas econômicas. "A coisa pela qual os mercados estão desesperados agora éliderança, seja globalmente ou regionalmente, e parece que háfalta disso", disse John Studzinski, chefe de private equity daconsultoria da Blackstone . Mas outros líderes empresariais disseram que mesmo se aeconomia dos EUA começar a encolher, o impacto para o resto domundo será menor do que no passado, graças a economias emexpansão de países emergentes como a China e a Índia.

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