De 1975 para cá, uma grave crise a cada 7 anos

Há 35 anos, em 4 de junho de 1975, o então ministro da Economia, Celestino Rodrigo, anunciou um pacote de medidas que causou o primeiro grande colapso econômico e financeiro na Argentina desde a crise mundial de 1929. O pacote - "El Rodrigazo" - trouxe uma desvalorização de 160% da moeda, aumentos de 100% das tarifas de serviços públicos, entre outras controvertidas medidas.

, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2010 | 00h00

Em seis meses, a inflação escalou 183%, enquanto protestos sociais, sindicais e políticos se alastravam. A presidente Isabelita Perón perdeu respaldo e foi derrubada por um golpe militar oito meses depois.

Coincidentemente, de 1975 para cá o país teve uma grave crise econômica a cada sete anos. Em 1982, a Guerra das Malvinas provocou um descalabro financeiro que levou a uma nova crise, que afundou o país numa inflação de mais de 300%.

A seguinte grande crise ocorreu em 1989, com a hiperinflação do fim do governo do presidente Raúl Alfonsín, que passou de 5.000%. A pobreza disparou, junto com saques a estabelecimentos comerciais.

Quase sete anos mais tarde, em 1995, o país foi duramente afetado pela crise mexicana, enquanto tentava de todas as formas manter a conversibilidade econômica.

Conversibilidade que acabou após a crise seguinte, de 2001-2002, quando o governo do presidente Fernando De la Rúa caiu em meio ao caos social e financeiro.

A pobreza, que estava na faixa dos 28%, disparou a 57%. O desemprego subiu de 17% para 28%. O Produto Interno Bruto (PIB) em 2002 despencou 11%.

O país enfrentou novamente problemas em 2008, meses antes da crise mundial. O estopim, desta vez, foi o confronto do governo com o setor ruralista, o crescimento dos gastos públicos, a escalada inflacionária e a retomada do crescimento da pobreza, que passou de 20% em 2006 para - segundo ONGs, economistas e a Igreja Católica - uma faixa de 30% a 40%.

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