De alimentos a carros. O consumo explode

A lista de compras no crediário da família de Jorge Abrão vai de alimentos a eletrodomésticos, para a casa nova, também financiada. "Sem dúvida meu consumo aumentou, mas graças ao crediário. Ele facilita a vida e ao mesmo tempo é uma ilusão porque você não pensa nas parcelas seguintes, só no imediato", diz Jorge Luiz Abrão.Essa semana ele foi às compras com a mulher, Giancarla Romanucci, e os filhos Letícia, de 6 anos e Gabriel de 1 ano e meio. Para 2008 eles já planejam uma viagem para Caldas Novas (Goiás), que será financiada, da mesma maneira que outras três feitas nos dois últimos anos. O casal é um exemplo do aumento de 1,5% do consumo das famílias no terceiro trimestre deste ano ante o segundo e 6,0% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O consumo das famílias mais uma vez foi o grande destaque nos dados do Produto Interno Bruto. Os indicadores de vendas à vista e a prazo da Associação Comercial de São Paulo, também mostram a aceleração do consumo. O movimento de vendas de janeiro a novembro é 7% superior a igual período em 2006."Há sete meses estava começando a estourar o limite do cheque especial, mas renegociei a dívida e até o fim de dezembro pago a última parcela. Posso voltar a comprar", diz Jorge. Ele trabalha numa seguradora e com a mulher, professora, tem renda mensal em torno de R$ 3 mil. "Ganhei um 14º salário como em 2006, mas não tive ajuste de salário maior do que a inflação."O crediário ajudou o casal a comprar uma tevê 29 polegadas em 12 parcelas,, uma geladeira, também no mesmo prazo de pagamento e um carro Gol em 36 vezes. "Quando é preciso, parcelo alimentos e roupas também em até oito vezes sem juros no cartão."Nas últimas férias de verão, o casal João e Margarete Meneses pagou dívidas. Mas este ano já está de malas quase prontas para passar 15 dias em Maresias, no litoral norte de São Paulo, com os três filhos."Não conseguíamos viajar de férias há três anos", diz João Meneses que ontem à tarde estava com a família comprando guarda-sol, biquínis e shorts para levar para praia. No ano passado, pelo descontrole de gastos, ele se afundou em dívidas. "Fiquei devendo só no cheque especial R$ 3 mil com despesas do dia a dia. Mas consegui renegociar e agora já dá para fazer compras de novo e viajar."É pela oferta de crediário que a vida melhorou, conta João que é analista de sistemas e tem renda em torno de R$ 3 mil."No começo do ano consegui comprar um carro em 48 vezes." A mulher divide a compra de roupas para a família em até cinco vezes, mas se contém para não aumentar o consumo de alimentos nos supermercados. "Prefiro gastar com outras coisas. Quero comprar um microondas." Para economizar e não se endividar demais novamente, o casal negociou com os filhos de 11, 8 e 6 anos os presentes de Natal. "Eles vão receber em janeiro porque os brinquedos ficam mais baratos nessa época do ano. Agora eles estão curtindo a viagem", garante Margarete.

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