Gabriel Soares/Brazil Photo Press
Gabriel Soares/Brazil Photo Press

De cara nova, Playboy veste suas roupas

Edição de março abandona nudez, que fez parte da identidade da revista americana desde 1953

David Segal, THE NEW YORK TIMES

05 Fevereiro 2016 | 05h01

O que é a Playboy sem mulheres nuas? Isso soa como a revista Car and Driver sem carros ou motoristas e, para os leitores que apenas desejam espiar as partes femininas mais íntimas, é apenas isso. Para todas as outras pessoas, a mudança na revista é mais sutil do que você pode achar. E, francamente, as mudanças mais claras têm pouco a ver com a exposição do corpo.

Em sua edição de março, a revista vai abandonar a nudez, que tem sido a parte principal da identidade da revista desde sua estreia em 1953, quando as páginas do centro estamparam fotos de Marilyn Monroe e vários artigos cândidos sobre sexo. Como anunciado em outubro, a Playboy está se transformando para a era digital, em que imagens picantes são tão fáceis de se encontrar como redes Wi-Fi.

A revista distribuiu uma cópia de sua edição repaginada e, indo direto ao ponto, ainda há mulheres nuas na versão mais recatada da Playboy. A mudança está na forma como elas foram fotografadas, de forma a ocultar, estrategicamente, algumas partes de seus corpos.

As páginas centrais da edição exibem Dree Hemingway, a bisneta do escritor Ernest Hemingway. Em um Jardim do Éden, após uma mordida na maçã, essa Eva parece um pouco envergonhada. Em uma das fotos, é como se alguém tivesse acabado de roubar suas roupas, deixando que ela escondesse somente o que podia com o uso das mãos. Dree e outras mulheres na edição não foram retocadas. As fotos da Playboy sempre foram triunfos da tecnologia, dando às modelos um brilho de perfeição que não pode ser obtido sem a colocação cuidadosa de luzes nos lugares corretos e de aerografia agressiva.

Algumas das imagens na edição de março são granuladas e parecem ser mais espontâneas do que posadas. Mesmo parecendo paradoxal, a Playboy passou por uma grande cirurgia cosmética e emergiu da sala de cirurgia parecendo mais natural.

A transição para o novo produto faz parte da estratégia para atrair uma audiência mais nova, segundo o diretor de conteúdo da Playboy, Cory Jones. “Um ano e meio atrás, nós relançamos o site da Playboy em uma versão que pudesse ser acessada no trabalho e a audiência subiu 400%. A idade média dos visitantes passou de 47 anos para 30 anos. Isso nos mostrou como a marca ainda ressoa.” Essa é a aposta forte da revista: ela agora é direcionada aos millennials e à era dos smartphones.

A capa da edição de março mostra uma jovem garota cujo braço se estende para fora do enquadramento da foto, como se ela estivesse tirando um selfie. Uma legenda à sua frente diz “heyyy ;)”, levando a foto a lembrar o estilo dos vídeos enviados por meio do aplicativo Snapchat.

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