De carona nas vendas de carros

De fabricantes de parafusos a lavanderias, empresas lucram com a explosão de consumo de automóveis

Cleide Silva e Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2007 | 00h00

A Acument, fabricante de porcas e parafusos, nunca esteve tão movimentado como em 2007. Os pedidos de peças usadas na fixação de componentes de automóveis chegavam na proporção em que a indústria automobilística acelerava sua produção, que este ano atingirá o recorde de quase 3 milhões de veículos. Para dar conta da demanda, a Acument comprou mais maquinário, contratou 150 funcionários e ampliou o terceiro turno de trabalho.Na lavanderia industrial Rotovic, especializada em uniformes e tecidos industriais, o volume de serviço aumentou 25%, contra uma média de 18% de crescimento nos anos anteriores. A empresa lava uniformes dos funcionários da Ford e da General Motors do ABC paulista, além dos de fabricantes de autopeças da região.Assim como a Acument e a Rotovic, empresas de diferentes segmentos cresceram a reboque da indústria automobilística - que viu sua produção aumentar 13,9% este ano. Os fornecedores da indústria automobilística precisaram investir, contratar e criar turnos extras.O setor de autopeças agregou 16 mil novos trabalhadores à folha de pagamento das empresas, hoje com 215 mil funcionários. Para 2008, a previsão é de contratar mais 6 mil a 8 mil funcionários, informa o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos (Sindipeças), Paulo Butori."Muitas empresas estão operando em três e até quatro turnos", afirma Butori. Os investimentos em 2007 somaram US$ 1,35 bilhão e no próximo ano o setor pretende aplicar mais US$ 1,6 bilhão para atender a produção de veículos - projetada em 3,24 milhões de unidades. O presidente da Acument, Marcello Marchiano, diz que a empresa investiu R$ 12 milhões para ampliar a capacidade produtiva em mais de 30%. "E vamos investir US$ 25 milhões de 2008 a 2010", informa. A produção das fábricas de São Paulo e Minas Gerais, com mais de 3 mil itens de fixação para veículos em sua linha de produtos, passou de 18 mil toneladas em 2006 para 21,5 mil toneladas. O faturamento da empresa foi 13% maior e deve ficar na casa dos US$ 120 milhões.A BorgWarner, fabricante de turbo compressor e motor a diesel, vai faturar entre 12% a 15% a mais que os R$ 250 milhões de 2006. O quadro de funcionários aumentou 8% - hoje são 350 pessoas nas duas fábricas em Campinas. "Foi o melhor ano da empresa em faturamento desde a instalação no País, em 1998", diz Sergio Veinert, gerente geral da empresa no Brasil. SEM MICONas concessionárias, as vendas de veículos cresceram 27%, para 2,45 milhões de unidades. A rentabilidade dos revendedores foi de 1,5% a 2,5%. Além do incremento dos negócios, as revendas ganharam com o giro mais rápido dos estoques. "Hoje não tem mico nas lojas - carros que precisam ser vendidos a preço de custo ou abaixo disso -, pois todos os modelos giram rapidamente", ressalta o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Sérgio Reze.A rede de concessionárias Itavema abriu cinco novas lojas ao longo do ano e hoje conta com 50 lojas. A receita da empresa deve engordar em R$ 1 bilhão e chegar à casa de R$ 4 bilhões.LAVANDERIASA lavanderia Rotovic aumentou em 15% o número de funcionários. A capacidade ociosa das três lavanderias em Taboão da Serra (SP), Americana (SP) e Camaçari (BA)caiu de 50% em 2005 para 10% este ano. "Vamos investir R$ 1,4 milhão no ano que vem na compra de novas máquinas", diz a diretora Paola Tucunduva. A lavanderia São Bernardo, responsável por lavar uniformes e peças de tecido da Volkswagen e da Scania, registrou uma expansão de 10% no volume de serviços. Depois de três anos funcionando com ociosidade de 20% a 30%, passou a operar com capacidade plena. "A produção de carros cresceu demais esse ano. Automaticamente, tivemos mais serviço", explica o diretor da São Bernardo, Roberto Longi.

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