De celulares a reatores nucleares

Ampliar a atuação não é ideia apenas da Panasonic. Até recentemente, Sharp, Fujitsu, Toshiba, NEC, Casio, Hitachi, Kyocera e Sony, todas produziam celulares, embora em alguns casos fabricassem também reatores nucleares e servidores avançados para o setor corporativo.

, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2010 | 00h00

A Sony, gigante do entretenimento e dos eletrônicos, talvez mais conhecida pelos seus televisores e pelos videogames PlayStation, também está produzindo sistemas de navegação e baterias recarregáveis para laptops e outros aparelhos, ao mesmo tempo em que controla um estúdio de cinema e uma companhia de serviços financeiros. Essa amplitude, segundo alguns analistas, pode desviar os olhos do fundamental, como a batalha travada com a Nintendo e a Microsoft no mercado de jogos.

"Um grande número de empresas de tecnologia no Japão tem operações em excesso", diz Atul Goyal, analista da corretora CLSA. "Essas companhias precisam pensar quais são as suas forças e fraquezas e se concentrar nas suas forças."

A Nintendo é uma empresa que geralmente vai contra a tendência. Ela é uma das mais lucrativas companhias de tecnologia que vende apenas dois produtos de hardware: o videogame Wii e o portátil DS. Mantendo-se fiel às raízes dos jogos, a Nintendo também fabrica os tradicionais jogos de cartas Hanafuda e os tabuleiros de jogos Go.

Uma medida óbvia que muitas fabricantes japonesas precisam considerar, defendida por conglomerados americanos como a GE, é se desfazerem de empresas que não dão lucro ou mesmo que dão prejuízo e reduzir a mão de obra excedente. Mas as dispensas são consideradas falta de responsabilidade social e totalmente desaprovadas no Japão.

Houve, no entanto, alguma consolidação. Em junho, Fujitsu e Toshiba anunciaram a união de suas operações de aparelhos celulares para concorrer melhor com a Apple e seu iPhone. Separadamente, NEC, Casio e Hitachi fundiram suas operações de telefones móveis.

"Quando os recursos são limitados é importante indagar sobre com o que realmente você quer se comprometer", disse Michiko Kakiya, analista de tecnologia do banco Macquarie. "É importante começar a fazer suas escolhas." / TRADUÇÃO: TEREZINHA MARTINO

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