De cidade dormitório a polo industrial

De cidade dormitório a polo industrial

Em 10 anos, Hortolândia atraiu 300 indústrias de vários setores, como tecnologia de informação, farmacêutico e ferroviário

Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2015 | 21h00

HORTOLÂNDIA (SP) - Até cinco anos atrás, a professora de inglês Alessandra Batista, de 39 anos, casada e mãe de Mariana, de 2 anos, trabalhava numa escola particular em Campinas (SP) e ganhava R$ 1,2 mil mensais. Em 2010, ela prestou um concurso para ensino público em Hortolândia (SP). No ano seguinte, o inglês passou a fazer parte do currículo da 1.ª à 4.ª série do ensino fundamental da rede pública e a professora mudou de emprego. “Meu salário melhorou muito”, conta ela, que recebe hoje R$ 3 mil mensais na escola pública.

Diariamente, Alessandra percorre 20 km de Campinas, onde mora, até Hortolândia, onde trabalha. A professora faz parte de um grupo de trabalhadores que inverteram a mão de direção do fluxo de pessoas que antes moravam em Hortolândia e trabalhavam em Campinas. 

Em 2005, Hortolândia, cerca de 100 km de São Paulo, era uma cidade dormitório e liderava o ranking de indicadores ruins: 17,2% da população do município em idade de trabalhar estava desempregada. Na época, era praticamente o dobro do índice de desemprego da Região Metropolitana de Campinas. Por conta do quadro econômico, a cidade era tida como uma das mais violentas do Estado de São Paulo.

No 1.º semestre deste ano, enquanto Campinas fechou 4.595 postos formais de trabalho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados aponta que Hortolândia criou 42 empregos com carteira assinada. O resultado pode parecer pequeno, mas perto do desemprego que predomina no País, o município é um destaque positivo.

“Neste ano, o PIB (Produto Interno Bruto) do município – estimado em R$ 8,5 bilhões – deve crescer”, prevê Dimas Correa Pádua, secretário municipal de Indústria, Comércio e Serviços. Ele sustenta essa projeção, que vai em sentido contrário ao esperado para o País – queda de até 2% do PIB–, nos investimentos previstos. De 2013 a 2015, a cidade está recebendo R$ 2,2 bilhões de investimentos.

A Havan, rede catarinense de lojas de departamentos, é uma das empresas que apostaram em Hortolândia. Faz nove meses que a empresa abriu uma unidade na cidade. “Decidimos abrir loja em Hortolândia pelo grande crescimento econômico que a cidade teve nos últimos anos”, diz o diretor-presidente, Luciano Hang. Ele conta que o desempenho da loja está um pouco acima de outras unidades na mesma fase por causa do poder aquisitivo da cidade e da região.

Outro grupo que está apostando na região é a incorporadora imobiliária Trade Invest. O grupo vai aplicar R$ 100 milhões num complexo multiuso de 44 mil m² de área construída que inclui hotel, torres de escritórios, de apartamentos residenciais e galeria de lojas. Luiz Roberto Pessoa Gonçalves, diretor da empresa, disse que a decisão de investir nesse projeto que prevê a construção do maior hotel da região, com 198 apartamentos, foi tomada porque se constatou uma deficiência de hospedagem para atender a forte demanda de executivos de grandes empresas.

“Ainda não sentimos a crise”, afirma Guilherme Quinteiro, coordenador de marketing do Shopping Hortolândia. Com 85 lojas e voltado para as classes B e C, o shopping fechou o 1.º semestre com crescimento de 5% nas vendas. Ele conta que recentemente foi procurado por uma grande rede varejista interessada em abrir uma loja física no shopping por descobrir que Hortolândia liderava as vendas online da rede.

Indústria. Apesar de o comércio estar atraindo importantes varejistas para a região, o motor da economia local é a indústria, especialmente da área tecnológica. IBM, Dell Computadores, ZTE, por exemplo, estão estabelecidas em Hortolândia. A proximidade do polo de tecnologia de Campinas fez crescer o número de empresas correlatas.

Mesmo com a especialização, o secretário municipal observa que a indústria é diversificada e, na sua opinião, isso explicaria o fato de a economia da cidade ter sentido até agora menos o impacto da crise.

Atraídas pelo mercado, 300 indústrias se estabeleceram no município nos últimos dez anos. “Temos um polo ferroviário com indústrias importantes na produção de vagões e metrô, como a Bombardier, AmstedMaxion, CAF”, exemplifica Pádua. Também o segmento farmacêutico é outra vertente do município, onde estão as fabricantes EMS e Galderma. No momento, Pádua diz que a crise tem desdobramentos nas empresas de eletrodomésticos e nos segmentos metalúrgico e automobilístico.

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