Ahn Young-joon/AP Photo
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De olho em Brexit e covid-19, mercados internacionais fecham sem sentido único

Pessimismo vem na esteira da segunda onda de covid-19 no planeta, que já leva importantes centros econômicos globais a endurecerem as medidas restritivas para conter o vírus

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2020 | 07h30
Atualizado 08 de dezembro de 2020 | 19h15

As Bolsas da Ásia e da Europa encerraram o pregão desta terça-feira, 8, sem sentido único, mirando a ampliação de restrições para conter a segunda onda de covid-19, apesar do bom desempenho das vacinas contra o vírus, e o impasse do Brexit. As perdas foram atenuadas, contudo, pela aposta de investidores em mais estímulos fiscais nos Estados Unidos, que fez com que os índices de Nova York fechassem em alta.

Dando um primeiro passo importante, o Reino Unido começou nesta terça a vacinar os cidadãos contra o vírus, utilizando o imunizante da Pfizer com a BioNTech, um mês à frente do restante da Europa, que começa a imunizar sua população em janeiro. O Reino Unido afirmou ainda que espera aprovação da vacina da Universidade Oxford, em parceria com a AstraZeneca, nas próximas semanas.

Apesar da notícia animadora, a segunda onda da pandemia segue ganhando força pelo planeta e já leva importantes centros econômicos globais, como a Califórnia, a endurecerem as medidas restritivas. Nos EUA, o presidente Donald Trump assinou um decreto para garantir que os americanos tenham acesso privilegiado a algumas vacinas, entre elas, a da covid-19, mas ainda não se sabe qual será o efeito prático da medida. O presidente eleito Joe Biden também afirmou que pretende vacinar 100 milhões de americanos em seus primeiros 100 dias de governo.

E com o vírus voltando a ganhar força no país americano, a grande questão continua sendo a aprovação de novos estímulos. Biden voltou a insistir para que o Congresso aprove logo as novas medidas de incentivo. O secretário do Tesouro americano, Steve Mnuchin, e o líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, se reuniram hoje para discutir o assunto. Mais tarde, McConnell afirmou que o pacote deve sair. 

Bolsas de Nova York

Em Nova York, além dos estímulos, o mercado também ficou atento à perspectiva de que uma vacina contra a covid-19 seja em breve aprovada pelo órgão regulador americano, o Food and Drug Administration (FDA).  O clima de otimismo dos mercados fez com que os índices S&P 500 e Nasdaq renovassem seus recordes de fechamento nesta terça. O Dow Jones subiu 0,35%, o S&P 500 avançou 0,28%, enquanto o Nasdaq cresceu 0,50%.

Diante da perspectiva de vacinação contra a covid-19 ao redor do mundo, as ações de farmacêuticas que desenvolvem imunizantes estiveram entre os destaques da bolsa nova-iorquina hoje. A Moderna foi a que mais acumulou alta, com ganhos de 6,48%. A Pfizer, que teve a eficácia de sua vacina confirmada pelo FDA na manhã de hoje, avançou 3,18%. Já a Johnson & Johnson, citada por Trump em discurso nesta tarde, subiu 1,73% e registrou uma das maiores altas no Dow Jones.

Bolsas da Ásia

O "sopro de otimismo" com novos estímulos nos EUA permitiu ao Shenzhen encerrar o dia na estabilidade. Entre os demais mercados do continente, porém, as perdas foram generalizadas: no Japão, o índice Nikkei encerrou o dia em queda de 0,30%, acompanhado pelo Kospi, de Seul, que caiu 1,62%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,73%, e, na China continental, o índice de Xangai cedeu 0,19%.

Na Oceania, a tendência de recuperação se uniu à iminência dos estímulos fiscais em solo americano e levou o índice S&P/ASX 200, da Bolsa de Sydney, a fechar em alta de 0,19%. 

Bolsas da Europa 

Além da covid, a Europa monitora de perto o Brexit, nome dado para a saída do Reino Unido da União Europeia. Hoje, ambos os blocos anunciaram um entendimento preliminar entre as partes, para o acordo econômico que pode começar a vigorar em 2021. Ainda não há detalhes sobre o tema e a Eurasia manteve as chances de um acordo comercial em 60%. A consultoria vê pessimismo no governo britânico, mas destaca o fato de que o premiê Boris Johnson irá a Bruxelas nesta semana, o que reforça a expectativa de uma solução para o impasse.

O Stoxx 600 subiu 0,20%, enquanto a Bolsa de Londres teve ganho moderado de 0,05%. Frankfurt e Lisboa somaram altas de 0,06% e 1,18% - a mais alta do continente. Paris, Milão e Madri tiveram baixas de 0,23%, 0,24% e 0,58%. 

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam sem direção única, nesta terça-feira. O início do pregão foi negativo, com foco na disseminação da covid-19 e de novos riscos à atividade global, mas houve melhora ao longo da jornada, com o relatório da Moody's. A agência de classificação de risco afirmou que prevê melhora "modesta" nos preços do barril no próximo ano, o que deve limitar investimentos no setor. Em relatório na mesma linha, o CIBC comenta que os investimentos mais modestos têm levado a revisões para baixo nas projeções para a produção da commodity. 

O contrato do WTI para janeiro fechou em baixa de 0,35%, em US$ 45,60 o barril, enquanto o Brent para fevereiro subiu 0,10%, a US$ 48,84 o barril./ MAIARA SANTIAGO, EDUARDO GAYER E GABRIEL BUENO DA COSTA

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