De olho em desemprego, Fed mostra cautela com economia

O Federal Reserve ofereceu nesta quarta-feira uma avaliação morna sobre a economia, apesar de recentes sinais de que a recuperação está se fortalecendo. O BC norte-americano argumentou que o elevado nível de desemprego ainda justifica o programa de compra de ativos no valor de 600 bilhões de dólares.

MARK FELSENTHAL, REUTERS

26 de janeiro de 2011 | 17h56

Em comunicado referente à última reunião de política monetária, o Fed também afirmou que as leituras de inflação estão "um pouco baixas", embora tenha reconhecido que o aumento nos preços das commodities esteja alimentando preocupações inflacionárias em todo o mundo.

O Fed manteve a taxa básica de juros perto de zero, conforme esperado, e reiterou que o juro provavelmente continuará baixo por um período prolongado. A decisão foi unânime.

"A recuperação econômica está continuando, embora a uma taxa que tem sido insuficiente para trazer uma melhora significativa nas condições do mercado de trabalho", disse o Fed em comunicado.

O BC dos EUA mostrou-se ligeiramente mais otimista do que no relatório de dezembro, quando disse que a recuperação era insuficiente para reduzir a taxa de desemprego. Desde a reunião do mês passado, o desemprego recuou 0,4 ponto percentual, a 9,4 por cento.

A postura do Fed contrasta fortemente com a do Banco Central Europeu (BCE). O Fed tem se concentrado nos núcleos de inflação, que estão nas mínimas em cinco décadas.

O Fed cortou o juro básico para perto de zero em dezembro de 2008 e pôs em prática um programa de compra de 1,7 trilhão de dólares em ativos de longo prazo para dar um impulso adicional à economia e combater riscos inflacionários.

Após a recuperação parecer patinar no meio de 2010, o BC norte-americano lançou um novo programa de compra de 600 bilhões de dólares em títulos públicos para tentar reduzir os custos de financiamento ainda mais, na esperança de diminuir a taxa de desemprego, que se aproximou de 10 por cento.

As autoridades fizeram novas previsões macroeconômicas nesta semana, mas as estimativas não serão divulgadas até 16 de fevereiro.

Espera-se que a economia norte-americana tenha avançado a uma taxa anual razoavelmente robusta de 3,5 por cento no quarto trimestre, após crescer 2,6 por cento entre julho e setembro. Um vigor similar no novo ano pode tornar a manutenção de uma política monetária muito acomodativa mais difícil, ainda que a taxa de desemprego permaneça em níveis elevados.

Baixos níveis de inflação fora dos setores alimentício e de energia têm estimulado preocupações no Fed sobre um ciclo vicioso de queda nos preços e declínio nos gastos e investimento, mas sinais de uma economia mais forte ofereceram algum alívio às autoridades do banco central norte-americano.

"Estamos vendo alguma melhora no mercado de trabalho. Acho que o risco de deflação diminuiu consideravelmente, e, assim, estamos na direção certa", afirmou o chairman do Fed, Ben Bernanke, em 13 de janeiro.

(Reportagem adicional de Pedro Nicolaci da Costa, Emily Kaiser e David Lawder)

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