Jung Yeon-je /AFP
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De olho em vacinas, Ásia e Europa fecham em alta no 1º pregão do ano, mas Nova York cai

No entanto, avanço da covid-19, que pode resultar em medidas de restrição ainda mais duras, seguraram os ganhos dos principais mercados nesta segunda

Eduardo Gayer e Iander Porcella, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2021 | 07h30

Impulsionadas pelo otimismo de investidores com o desenvolvimento de vacinas contra a covid-19 - e também com o início das campanhas de imunização em algumas das principais economias do mundo -, as Bolsas da Ásia e da Europa encerraram o primeiro pregão de 2021 em alta nesta segunda-feira, 4. No entanto, o avanço de casos da doença e a chance de mais medidas de restrição seguraram os ganhos e derrubaram também o mercado de Nova York.

Além do avanço na imunização em países como Reino Unido, Estados Unidos, Itália e Alemanha, dados positivos também alimentaram o otimismo. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria da zona do euro subiu à máxima desde maio de 2018, enquanto o índice alemão tocou no maior valor desde fevereiro de 2018. No Reino Unido, o mesmo dado atingiu o maior nível em três anos.

"Um novo ano, mas preocupações semelhantes na frente do coronavírus. A corrida entre a logística da vacina e novas cepas continua à medida que a perspectiva do vírus piora", dizem analistas do Brown Brothers Harriman, um banco de investimentos americano.

No Japãonovas restrições podem ser anunciadas para combater a segunda onda da covid. Na Europa, a Inglaterra voltou a decretar o lockdown, diante da cepa mais contagiosa do vírus que circula no Reino Unido. A medida foi anunciada na tarde desta segunda, pelo primeiro-ministro britânico Boris Johnson. Por lá, a Escócia já anunciou que vai prolongar o isolamento, medida que também deve ser adotada pela Alemanha. 

Para a Capital Economics, uma consultoria britânica, o avanço da pandemia no curto prazo significa "que as restrições serão reforçadas ou mantidas por mais tempo", o que embute riscos de baixa nas projeções para o crescimento da atividade econômica global no primeiro trimestre do ano. 

Bolsas de Nova York

O Dow Jones recuou 1,25% e o S&P 500 caiu 1,48% - os dois índices chegaram a renovar as máximas históricas intradia na abertura, depois de terem encerrado o último pregão de 2020 com recordes. O Nasdaq, por sua vez, registrou baixa de 1,47%. As ções das companhias aéreas foram as mais afetadas pelo avanço da pandemia e o surgimento de novas variações. Os papéis da American Airlines cederam 4,06%, os da Delta Airlines perderam 3,68% e os da United Airlines encerraram em baixa de 3,75%. 

Na seara da política, as disputas de segundo turno na Geórgia por duas vagas no Senado americano ocorrem amanhã e definirão, de certa forma, o destino do futuro governo de Joe Biden. "Se os democratas ganharem ambas as cadeiras, eles terão o controle do Senado e da Câmara, dando ao democrata espaço para avançar com um amplo pacote de políticas destinadas a impulsionar empregos, investimentos e energia verde na economia dos EUA", analisa o economista-chefe internacional do ING, James Knightley.

Bolsas da Europa 

As bolsas fecharam em alta no continente europeu, apesar dos ganhos terem perdido a força à espera de Londres anunciar ainda nesta segunda medidas de restrição mais duras - mesmo assim, a Bolsa inglesa teve ganho de 1,72%. Por lá, o JP Morgan já havia alertado, em relatório divulgado pela manhã, que a cepa mais contagiosa da covid poderia resultar em um novo lockdown na região.

Ainda hoje, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou com alta de 0,67%, enquanto a Frankfurt avançou apenas 0,06%, de olho nas possíveis novas medidas de restrição. Paris avançou 0,68%, com destaque para a alta de 1,70% da ação da Peugeot, após acionistas da empresa e da Fiat Chrysler aprovarem a fusão das duas montadoras. Milão, Madri e Lisboa subiram 0,37%, 0,32% e 1,93% cada.

Bolsas da Ásia 

Na China continental, o índice Shanghai Composto ganhou 0,86% e o Shenzhen avançou 2,46%. Com isso, a desaceleração do índice de gerente de compras industrial da China de 54,9 em novembro para 53,0 pontos em dezembro acabou apenas monitorada. O índice Kospi, da Bolsa de Seul, na Coreia do Sul, seguiu a tendência compradora e se fortaleceu 2,47%, acompanhado pelo Hang Seng, de Hong Kong, que ganhou 0,89%, e pelo S&P/ASX 200, da Bolsa de Sidney, que fechou em alta de 1,47%.

Apenas a Bolsa de Tóquio foi na contramão, com o índice Nikkei fechando em baixa de 0,68%, diante da chance do governo do Japão declarar estado de emergência na região de Tóquio. Na véspera de ano-novo, a cidade registrou 1.337 casos do novo coronavírus em um único dia. 

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa hoje, em sessão com intensa expectativa pelas tratativas na reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), que precisa decidir se vai manter os cortes de produção em 7,2 milhões de barris por dia (bpd) em fevereiro ou se os reduzirá em mais 500 mil bpd. O impacto da covid-19 na economia global, com o avanço de casos e na vacinação, também foi observado.

Nesta segunda, o contrato do WTI para fevereiro caiu 1,85%, a US$ 47,62 o barril, enquanto o Brent para março recuou 1,37%, a US$ 51,09 o barril. As tensões no Oriente Médio, em especial com a decisão do Irã de voltar a enriquecer urânio acima do limite permitido, também afetou o petróleo. As tratativas pelo desenvolvimento nuclear iraniano são observadas com atenção pelo mercado, uma vez que há a possibilidade do governo de Joe Biden retornar a um acordo com o país, o que poderia aumentar a oferta no mercado de petróleo./ COLABOROU MAIARA SANTIAGO E MATHEUS ANDRADE

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