Kin Cheung/AP Photo
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De olho no Brexit e em estímulos nos EUA, mercados internacionais fecham sem sinal único

Secretário do Tesouro americano disse nesta quinta que há um progresso nas negociações entre governo e oposição por novas medidas de incentivo, mas clima ainda é de impasse

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2020 | 07h30
Atualizado 10 de dezembro de 2020 | 18h36

As Bolsas da Ásia e da Europa fecharam na maioria em território negativo, com investidores atentos ao avanço da covid-19 e a seus impactos na atividade. A dificuldade de os Estados Unidos aprovarem mais estímulo fiscal também foi mencionada como motivo para a fraqueza nas praças, já que isso pesa nas expectativas globais. De olho nessa questão, o mercado de Nova York terminou sem sinal único.

O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, relatou nesta quinta progressos nas negociações entre governo e oposição em torno de um novo pacote fiscal para os Estados Unidos, considerado fundamental para apoiar a economia do país, impactada pela segunda onda de covid-19. Ele, contudo, não deu prazo para o desfecho do impasse.  

No entanto, segundo a mídia local, o clima é de impasse. Enquanto o partido do presidente eleito, Joe Biden, não abre mão de conceder ajuda financeira a Estados e municípios, ponto criticado pela atual gestão da Casa Branca, a legenda de Donald Trump quer a todo custo proteger empresas contra eventuais processos trabalhistas de funcionários contaminados pela covid-19. 

Além da falta de novos incenticvos nos EUA, o Brexit, nome que se dá a saída do Reino Unido da União Europeia, segue causando desconforto. A decisão sobre um acordo deve ser comunicada no fim de semana. Na última quarta-feira, 9, a presidente 

da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, se reuniram para tentar chegar a um acordo diante do impasse entre as negociações por um acordo comercial para a saída, que será oficializada em 1 de janeiro de 2021. Porém, segundo Ursula, apesar da aproximação, ambos os lados ainda têm posicionamentos distantes. 

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York encerraram sem direção única, atentas ao impasse em torno de um novo pacote fiscal nos EUA, mas animadas com o andamento das vacinas contra a covid-19. Entre os índices, o Nasdaq subiu 0,54%, aos 12.405,81 pontos, um novo recorde, em dia de estreia da Airbnb no mercado acionário de Wall Street.  Com preço inicial da ação a US$ 68, o papel da companhia terminou o dia de estreia em alta de 112,81% a US$ 144,71. Já o Dow Jones fechou em queda de 0,23%, acompanhado pelo S&P 500, que cedeu 0,13%. 

No cenário da covid-19, a Agência de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) reuniu-se nesta quinta-feira para discutir eventual autorização para uso emergencial da vacina da Pfizer em solo americano. A decisão não foi anunciada até o fechamento dos negócios.

Bolsas da Ásia

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei terminou em baixa de 0,23%, puxada pelos recuos nas ações de eletrônicos. Na China, a Bolsa de Xangai registrou alta de 0,04%, enquanto a de Shenzhen, de menor abrangência, registrou alta de 0,12%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou com queda de 0,35%. Na Coreia do Sul, o índice Kospi recuou 0,33% em Seul e em Taiwan, o índice Taiex registrou baixa de 0,98%

Na Oceania, na Bolsa de Sydney o índice S&P/ASX 00 teve queda de 0,67%, com ações de tecnologia sob pressão na Austrália. A empresa de "Machine Learning" Appen caiu 12%, após revisar para baixo projeções de resultados no ano fiscal.

Bolsas da Europa

No continente europeu, os ganhos foram impulsionados pela decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que manteve os juros, mas ampliou suas compras de bônus. O discurso da presidente do BCE, Christine Lagarde, em seguida à decisão, soou "menos alarmista", na avaliação de riscos, segundo o ING. Por lá, Londres subiu 0,54%, enquanto Paris teve ganho de 0,05%.

Na ponta oposta, no entanto, o Stoxx 600 encerrou com baixa de 0,45%, enquanto Frankfurt cedeu 0,18%. Milão, Madri e Lisboa tiveram baixas de 0,25%, 0,52% e 0,43% cada.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta hoje, em uma sessão marcada pelo otimismo com a vacinação contra a covid-19 auxiliando na recuperação da economia global. Além disso, a desvalorização do dólar torna a commodity mais barata para detentores de outras divisas. Em Londres, o Brent ultrapassou a marca dos US$ 50 o barril. O WTI para janeiro fechou em alta de 2,77%, em US$ 1,26 o barril, enquanto o Brent para fevereiro fechou em alta de 2,84%, a US$ 50,25 o barril.

Já projetando o próximo ano, a Capital Economics avalia que é possível que o Brent ultrapasse os US$ 60 o barril no final de 2021. A retomada da demanda global é a base para o cálculo. No entanto, entre os riscos que a consultoria avalia estão: uma recuperação econômica mais fraca do que o previsto; uma alta na produção por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+); um aumento da produção nos Estados Unidos; e uma alta nas exportações do Irã./ MAIARA SANTIAGO, EDUARDO GAYER E MATHEUS ANDRADE

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