Tarso Sarraf/Estadão
Tarso Sarraf/Estadão

De olho na crise hídrica, ONS e Aneel farão teste de controle da demanda por energia

Grandes consumidores deverão ser testados em breve; para diretor-geral da ONS, País não corre risco de apagão, mas alerta que ANA e Ibama podem restringir vazão e forçar um racionamento

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2021 | 17h18
Atualizado 19 de maio de 2021 | 19h25

RIO - Sob ameaça de um possível racionamento de energia este ano, por conta do baixo nível de água dos reservatórios das hidrelétricas, o Operador Nacional do Sistema (ONS) e a Agência Nacional de Energia (Aneel) estudam a gestão da demanda de energia elétrica, uma ideia que já está sendo considerada há algum tempo, segundo o diretor-geral do ONS, Luiz Ciocchi.

A medida consiste em acertar com grandes indústrias consumidoras de energia o deslocamento do horário de produção, para evitar o despacho de um grande número de térmicas nos horários de ponta, explica Ciocchi. 

"Estamos trabalhando com a Aneel, e já faz tempo, no arcabouço legal para isso (controle de demanda). A expectativa é de em breve iniciarmos alguns ensaios e testes com grandes consumidores de energia elétrica", disse Ciocchi ao Estadão/Broadcast.

Segundo ele, não há risco de acontecerem apagões em todo o País como ocorreu no Amapá. Mas não descartou um possível racionamento se houver restrição de vazão por parte do Ibama e da Agência Nacional de Águas (ANA).

"Apagão não, racionamento somente se não conseguirmos utilizar adequadamente os reservatórios, por conta de restrições de vazão impostas por Ibama e ANA. Mas dentro do possível e razoável, esse tema está bem encaminhado com essas entidades", avaliou Ciocchi.

Ele justificou o acionamento das usinas térmicas, mais caras e poluentes, para garantir a normalidade do abastecimento. "Térmica é mais cara, sim, mas a energia mais cara é a que falta. Ainda bem que temos recursos termelétricos para utilizar", afirmou.

Os reservatórios das usinas hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que representam 70% do abastecimento brasileiro, estão na média 33% cheios. Como o País está no período seco do ano (abril a novembro), a tendência é de queda. O ONS tem acionado um grande número de térmicas para equilibrar o sistema, mas especialistas alertam que se a economia voltar a crescer no segundo semestre, não haverá energia elétrica suficiente no País e é possível que seja necessário racionar energia.

O controle de demanda foi utilizado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na crise energética de 2001, um ano antes das eleições presidenciais, como agora, quando por meio de acordo grandes indústrias se comprometeram a reduzir o consumo em troca de uma compensação.

Já os consumidores de até 100 quilowatts/hora por mês (30% da população) não foram afetados, mas acima disso o corte de consumo foi obrigatório em 20%. Acima de 500 quilowatts/hora por mês havia ainda uma taxação de 200% sobre o consumo excedente.

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