Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA
Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA

Mercados internacionais fecham em alta de olho nas eleições americanas

Preocupação com o coronavírus e os recentes ataques terroristas ficaram em segundo plano nesta, com os investidores otimistas com uma possível vitória democrata

Sergio Caldas e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2020 | 07h30
Atualizado 03 de novembro de 2020 | 19h01

As Bolsas da ÁsiaEuropa e Nova York fecharam em alta significativa nesta terça-feira, 3, sustentadas por sólidos dados de atividade manufatureira de grandes economias, como Estados Unidos e China, e à espera da eleição presidencial americana. Números recentes mostram que a atividade industrial americana e chinesa continuam em recuperação após o choque da pandemia do novo coronavírus, embora a doença tenha voltado a ganhar força na América do Norte e Europa

O dia positivo nao exterior é uma resposta a eleição presidencial nos EUA, nesta terça. As últimas pesquisas mostram vantagem do candidato democrata, Joe Biden, sobre o presidente americano, Donald Trump, que busca a reeleição. Biden venceu por unanimidade a votação em Dixville Notch, pequena cidade de New Hampshire próxima à fronteira dos EUA com o Canadá. O democrata obteve todos os cinco votos da cidade, que é a primeira a revelar os votos de cada eleição presidencial desde 1960.

Existe uma expectativa de que Biden pressione por estímulos fiscais maiores se sair vitorioso da disputa com Donald Trump. Nas semanas antes da votação, o governo republicano e a oposição democrata não conseguiram superar um impasse sobre o tamanho de um novo pacote fiscal para lidar com os efeitos da covid-19. Além disso, também anima a possibilidade do Senado americano passar a ter maioria democrata, o que ajudaria ainda mais na aprovação de novos incentivos. Atualmente, a Casa tem maioria republicana.

"Parece que os mercados estão precificando probabilidades sólidas de uma onda azul hoje, o que implica estímulo fiscal e emissão de dívida em 2021 significativos", dizem analistas do Brown Brothers Harriman (BBH), um banco de investimentos americano, em referência ao cenário em que os democratas estariam no controle da Casa Branca, da Câmara dos Representantes e do Senado.

Para analistas do BMO Capital Markets, os participantes do mercado "parecem concordar que o otimismo desta semana pode ser atribuído à eleição". Eles ponderam, entretanto, que esse movimento de apetite por risco pode ter várias interpretações. A mais citada, de acordo com o BMO, é que a liderança de Biden nas pesquisas elimina parte da incerteza pós-eleitoral ao diminuir as chances de uma batalha judicial em torno do resultado.

Bolsas da Ásia 

Na China continental, o índice Xangai Composto subiu 1,42% e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,43%. Em outras partes da Ásia, o Hang Seng se valorizou 1,96% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi garantiu alta de 1,88% em Seul e o Taiex registrou ganho de 1,15% em Taiwan. No Japão, a Bolsa de Tóquio não operou devido a um feriado nacional.

Na Oceania, a Bolsa australiana se valorizou também na esteira da decisão do banco central do país de cortar seu juro básico de 0,25% para a mínima histórica de 0,10%, no primeiro ajuste da taxa desde março. O S&P/ASX 200 avançou 1,93% em Sydney.

Bolsas da Europa

Apesar do otimismo com a eleição ajmericana, outras preocupações locais continuam no radar. O BBH lembra que após a eleição, "fica incerto o impacto do número crescente de casos de vírus e o impacto na atividade econômica global". As principais medidas de restrição foram adotadas na Europa durante a última semana, em quase todos os casos visando ter um cenário positivo para o Natal, no entanto, líderes deixaram em aberto a possibilidade da renovação de restrições em caso de contínuo aumento de casos.  

Outra ameaça, o terrorismo, também chamou atenção após os ataques de da última segunda-feira, 2, em Viena. O Reino Unido elevou seu estado de alerta para "severo". A Itália propôs um Patriot Act, inspirado no modelo americano, para a União Europeia, visando lidar com as ameaças, as maiores ao continente em meses.

Mesmo assim, o otimismo com a possibilidade de uma onda democrata tomar conta dos EUA prevaleceu nos mercados. O Stoxx-600 fechou com alta de 2,34%, enquanto a bolsa de Londres subiu 2,33%, Frankfurt ganhou 2,55% e Paris avançou 2,44%. Milão, Madri e Lisboa tiveram altas de 3,19%, 2,52% e 0,76% cada. 

Bolsas de Nova York

Na seara dos indicadores econômicos, as encomendas à indústria dos EUA avançaram 1,1% em setembro na comparação com agosto, acima do previsto pelos analistas. O dado positivo ajudou na alta do mercado acionário de Nova York: Dow Jones subiu 2,06%, o S&P 500 avançou 1,78% e o Nasdaq registrou alta de 1,85%.

Dentre os setores do S&P 500, o industrial (+2,91%) e o financeiro (+2,22%) lideraram os ganhos na sessão de hoje. As ações do Goldman Sachs subiram 4,06%, as do JP Morgan avançaram 3,15% e as do Morgan Stanely ganharam 3,65%. Apple, por sua vez, registrou alta de 1,56% e Amazon, de 1,46%.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo também tiveram um dia favorável, de olho na eleição presidencial dos EUA nesta terça-feira. Nesta terça, o barril do WTI para dezembro fechou com alta de 2,30%, a US$ 37,66, enquanto o do Brent para janeiro teve ganho de 1,90%, a US$ 39,71.

Além da votação, o enfraquecimento do dólar também forneceu suporte aos preços, ao tornar o barril mais barato e, portanto, mais atraente. "O petróleo WTI deve ficar acima de US$ 30 até depois da eleição, mas se os casos de coronavírus continuarem aumentando, um teste dessa marca parece inevitável", explica o analista de mercado da Oanda, Edward Moya.

Já o ING ressalta que as cotações também responderam à possibilidade que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, junto com aliados (Opep+), continuem com cortes na produção da commodity em 2021. Ontem, o ministro da Energia russo, Alexander Novak, se encontrou com produtores do país para discutir essa hipótese. / COLABORARAM MAIARA SANTIAGO, ANDRÉ MARINHO E IANDER PORCELLA

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